Câmara de Comércio e Industria vai auxiliar membros a acessar crédito bancário

Com vista a fazer frente às dificuldades resultantes da descapitalização e ou corrosão dos recursos de grande parte dos filiados da agremiação, nova direcção promete apoiar membros a conseguirem conquistar confiança da banca

A nova direcção da Câmara de Comércio e Industria de Angola (agremiação empresarial mais antiga do país), pretende auxiliar filiados seus a acessar ao crédito bancário para alavancar as suas actividades. Vicente Soares, o novo presidente de direcção da agremiação considera o acesso ao credito como um verdadeiro problema que aflige os membros da Câmara e todos os empresários de uma forma geral. Segundo o também empresário, a banca funciona na base da confiança ou quanto mais não seja, reduzindo a mínimos os riscos na concessão de créditos.

“Se algum empresário não histórico de relacionamento com a banca experimenta maiores dificuldades em acessar a qualquer produto neste sector exigente da actividade financeira” pelo que, traçar estratégias com vista a encontrar caminhos que facilitem a relação faz parte do seu programa de acção no presente mandato. Segundo o responsável, além da questão da “confiança” outro handicap para os empresários são os “altos juros” praticados pela banca comercial. Assim, a CCIA tem estado a dedicar particular atenção ao processo de achar “caminhos conducentes à facilitação do acesso ao crédito”.

Recentemente, num encontro com o Presidente do Conselho de Administração da Comissão de Mercados de Capitais um dos caminhos apontados para o empresariado é a bolsa de valores que infelizmente ainda não funciona em pleno. A bolsa de valores, um dispositivo exigente e que prima muito pelos valores da transparência, vai ser um caminho a ser recomendado pela Câmara aos seus filiados que deverão, concomitantemente, regularizar os mecanismos das suas empresas e dotá-las de capacidade técnica para responderem satisfatoriamente às exigências do mercado. “Em bolsa, a informação deve ser assimétrica, a contabilidade bem organizada e nós sabemos que ainda temos problemas sérios com estes itens, pelo que vamos incentivar os filiados a empreenderem esforço nesta direcção, a da melhoria dos mecanismos”, disse Vicente Soares.

O programa de acção da Câmara contempla a capacitação dos filiados quanto aos procedimentos e caminhos para se acessar a banca. “Identificamos que as dificuldades residem no desconhecimento de nossa parte em como devemos ter acesso à banca”, revelou o responsável. Outro mecanismo gizado pela camara é a constituição de um fundo de garantia como medida de “facilitação de acesso ao crédito e um fundo de crédito”, para que dentre outras coisas facilitar o acesso ao crédito bancário e ou emprestar a filiados que manifestem dificuldades em termos de fundos. A Camara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA) foi fundada ainda ao tempo do regime de partido único (1988) e actualmente é uma instituição com estatuto de utilidade pública. Congrega no seu seio 812 filiados, estando a maioria sedeada na província de Luanda. A nova direcção da agremiação está concentrada a tornar exequível um programa de trabalhos.

Encontros com os departamentos ministeriais para melhor conhecerem os programas do Executivo destinados ao sector empresarial, diálogo com parceiros, onde se inclui outras associações empresarias e sindicatos, e avaliação dos acordos assinados com diversas organizações internacionais, câmaras congéneres no mundo e com organismos das Nações Unidas e União Africana, são acções que preenchem o calendário de actividades da nova direcção empossada em Dezembro último. Em termos de visibilidade da sua acção, a Câmara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA) preconiza instituir a difusão de dois programas, sendo um na rádio e outro em televisão. Pretende ainda retomar a publicação do magazine “Mensageiro”, um título que a agremiação trouxe à esfera pública angolana por muitos anos, mas que desapareceu por razões financeiras. No capítulo das publicações, preconiza ainda trazer de volta as já antes existentes sob sua chancela, nomeadamente “A Chave do Comércio” e “O Anuário Económico”, assim como almeja introduzir a publicação “Como Aceder aos Bancos”.

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