Editorial: Justiça, democracia e o aminho errado

Jornal OPaís edição 1764 de 02/03/2020

A justiça em Angola foi sempre um terreno de muitas interrogações. Ora porque o tempo de partido único tinha uma interpretação muito peculiar do que é a justiça, ora porque a guerra permitia moldar a justiça àquilo que se considerava segurança do Estado ou traição à pátria. Tudo isto abriu caminho para todo o tipo de arbitrariedades. E não cessou, a democracia em Angola está a ser um parto muito doloroso, se pensarmos que não há democracia sem uma justiça verdadeira. Tal como não há justiça sem o mais civilizado direito à defesa plena. Ora, os relatos de advogados que se vão ouvindo depois do caso Eugénio Marcolino, em Benguela, mostram que em Angola a justiça, a defesa dos direitos de cada um, o próprio direito a uma defesa condigna, é apenas uma miragem. É preciso recomeçar, reconhecendo que o país está no caminho errado.

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