Nunca se mata a memória

O tempo em que isto era uma “manada de brutos” acabou. Mas parece que há quem assim não pense, ou que tem de acertar o passo com a história. Apesar de a grande maioria dos angolanos estar grandemente condicionada em termos de acesso à informação de qualidade, apesar dos níveis de analfabetismo, o povo questiona. E isto é muito bom para quem nos governa, se souber ouvir. É muito bom para todas as estruturas do Estado, se estiverem atentas. Com a detenção do general na reforma Bento Kangamba, de imediato surgiram nas redes sociais áudios com a sua voz a pronunciar-se sobre a perseguição, ou não, à família Dos Santos. E Surgiram outros. Quem os colocou, ou quis mostrar que ele é mesmo uma pessoa qualquer, condição que refuta num dos áudios, ou quis mostrar apenas que existe memória. Esta memória é a mesma que está a registar os actos das autoridades, que receberão a devida factura mais tarde ou mais cedo. Por exemplo, comunicar a detenção aludindo uma tentativa de fuga sem dizer se ele estava impedido legalmente de se ausentar de Luanda ou do país. Esta falha na comunicação (se é que existia algum impedimento legal), somada à agressão a advogados e a jornalistas desenham um quadro de Estado ditatorial em que o direito é apenas a expressão da vontade de quem manda, o que é inaceitável e coloca o pais na montra dos piores exemplos. O poder é sempre efémero, mas pode perdurar quando exercido com inteligência. Quando se faz o contrário. A história está cheia de casos que mostram como a memória dos povos sempre faz o acerto de contas. No nosso caso, tudo se pode resolver com um acerto na comunicação, se estiver tudo a ser feito como deve ser. Para que não surjam novos registos condenatórios no futuro, a mostrar que afinal somos todos pessoas quaisquer.

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