Projectos em madeira podem baixar custo do sonho da casa própria

Apesar de constituir uma realidade aparentemente incomum, a jovem lembrou que algumas famílias de certos bairros de Luanda ainda vivem em residências do género erguidas no tempo colonial

Silvana Manuela Zacarias Shindany, de 22 anos de idade, finalista do curso de engenharia de construção civil, defende que a concepção de projectos de centros urbanos ou suburbanos com habitações feitas de madeiras pode ser determinante para tornar a aquisição desses imóveis menos onerosos. “A aposta nesse tipo de construções seria uma maneira racional de reaproveitar a nossa madeira, não de forma puramente estética, mas mais funcional ou aplicada, conforme ouso aqui dizer, porque esta matéria-prima, noutras paragens, constitui a principal modalidade de edificação”, declarou Silvana, lembrando que tende a levar um tempo de projecção mais rápido do que o convencional, sem beliscar a qualidade requerida.

Para tal, adiantou que o sector madeireiro tem de entrar nesta causa, deixar de ser caro, como é, porque não há muitas razões para tal, uma vez que esse recurso, no nosso país ainda cresce de jeito natural, se vista a coisa num sentido geral. Silvana Shindany entende que o sector madeireiro devia estar directamente vinculado ao da construção. Lembrou que as madeiras não são como o betão, que leva um grande processo de cura, tendo ainda realçado a componente da carência deste produto, maioritariamente importado, como a grande desvantagem dos projectos, sobretudo actualmente. Acrescentou que essa política de construção não precisa apenas de madeira pura, podendo, entretanto, servir-se da adequável ou reaproveitada.

Ela reforçou dizendo que, normalmente, as construções de madeira são combinadas, possibilitando aos engenheiros não terem apenas de utilizar peças desta matéria-prima natural em toda a construção. “É basicamente usada como estrutura das residências, depois tem de se fazer o revestimento dessas moradias, que pode ser por via de placas de polímeros ou de materiais aproveitados, que consiste noutras tábuas mais simples ou reaproveitadas, sendo mais económico. A ideia que alguns levantam da dificuldade de adequação da canalização, instalação eléctrica e de outros serviços, nesse tipo de habitações, foi assegurada pela entrevistada como sendo ainda mais barata e segura.

A futura engenheira civil que pediu para não minimizarem os seus argumentos devido ao seu actual grau académico, assegurou que sempre achou que, ao nível de construções, havia muito por se fazer, principalmente do ponto de vista da economia, já que a construção é um sector que envolve muito dinheiro. Considerando as construções caras em toda parte do mundo, informou que, por essa razão, muitos são os países que buscam constantemente formas de tornar as construções cada vez mais acessíveis e melhoradas em vários aspectos.

Receio da alternativa

A sensação que Silvana Shindany carrega, segundo a qual as entidades de direito ainda nutrem um receio de avançar com a alternativa que avançou, a deixa entristecida, porque está convicta de que fazer algo com um material disponível na natureza e com outro por se comprar existe muita diferença de custos. Por causa disso, ela predispõe-se a fazer parte de projectos com desafio de trabalhar para inovação a favor dos que mais precisam, porque acredita que existem formas diversas de tornar as residências mais acessíveis, mais económicas e melhoradas para a população com poucas capacidades. “A construção civil é por si só uma engenharia teoricamente atrasada, porque para haver engenharia é preciso muitos testes, muitas comprovações, sem contar a adequação de cada ambiente, o que, por exemplo, não se vê no ramo informático, onde parece tudo mais automático”, comparou, par mostrar que o seu sector, mais do que competência, impõe comprometimento.

Fazendo uma alusão ao passado, disse que em Angola as construções são normalmente feitas de blocos, perdendo na relação com as feitas no tempo colonial, que agregavam edificações de madeira, como ainda hoje se pode verificar nos bairros da Madeira, Cuca, Marçal e Golfe, respectivamente nos distritos urbanos do Sambizanga, Cazenga, Rangel e Kilamba Kiaxi, só para citar algumas de Luanda. “Pensando-se que casa é o que todo o mundo quer e os que aparentemente não a querem também vivem numa habitação, se torna algo que, de uma forma ou de outra, terá sempre de se fazer”, salientou, tendo rematado que, se for por via mais barata e segura, será melhor.

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