Executivo pretende retirar da pobreza cerca de 3 milhões de cidadãos

A ideia foi manifestada no encontro nacional com os administradores das 164 circunscrições municipais, realizado no âmbito do Programa integrado de desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PidLCP)

A ministra de Estado para os Assuntos Sociais, Carolina Cerqueira, assegurou que o Executivo defi niu como prioridade para o presente quinquénio a redução do impacto da pobreza extrema de 36,6 por cento para 25, correspondendo à retirada de cerca de 3 milhões de cidadãos desta condição.

A responsável, que falava, ontem, em Luanda, na sessão de abertura do encontro nacional com os administradores municipais, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP), referiu que será possível atingir esta meta “com disciplina, rigor, patriotismo, transparência, comprometimento e, acima de tudo, responsabilidade na assumpção das ideias, visão política e estratégia do Executivo”, disse.

Para Carolina Cerqueira, todos devem continuar com esta visão e pacto social para “Angola e os angolanos”, defendendo e priorizando nas suas iniciativas e decisões o interesse nacional e o bem comum. Na sua intervenção, a ministra de Estado para os Assuntos Sociais explicou que o combate à pobreza é um desafi o global e está alinhado aos objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sendo o número um da Agenda 2030.

O Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza, segundo ainda Carolina Cerqueira, tem como objectivo a implementação de acções destinadas aos grupos em situação de extrema pobreza, a promoção do desenvolvimento sustentável e integrado das comunidades.

Assim sendo, de acordo com a ministra, torna-se importante, nesta fase, aumentar a capacidade de mobilização de recursos humanos, com uma aprumada gestão fi nanceira para “corrigir o que está mal e melhorar o que esta bem”. A governante defendeu ser necessário fazer jus a este “slogan” do seu partido, para se ultrapassar alguns constrangimentos ligados à persistência de más práticas na utilização dos meios públicos disponíveis e também em alguns casos mitigar a resistência cultural das comunidades tradicionais e minorias étnicas, na aceitação de novas práticas mais inclusivas e de acesso às novas tecnologias.

Diálogo comunitário

Considerou ser importante incrementar o diálogo comunitário, a alfabetização funcional e sensibilização e informação sobre as vantagens da mudança de atitudes e de práticas, que podem melhorar “a saúde, a nutrição, a segurança e a protecção destas comunidades”. Carolina Cerqueira disse ainda que o diálogo comunitário pode ajudar a evitar muitos riscos que directamente ou indirectamente prejudicam o avanço na implementação dos programas locais.

Famílias vulneráveis

Durante o seu pronunciamento, a ministra anunciou que no quadro do Programa de Transferências Sociais Monetárias, o Executivo visa atender um total de 20 mil crianças em 14 mil agregados familiares, de seis municípios, nas províncias do Moxico (Luchazes e Camanongue), Bié (Chinguar e Catabola) e Uíge (Uíge e Damba) na primeira fase de implementação. Avançou que este projecto conta com o fi nanciamento e o apoio técnico do Banco Mundial e do UNICEF, cuja principal componente são as transferências monetárias para famílias vulneráveis, com crianças menores de 5 anos, por agregado familiar.

Mecanização agrícola à mulher rural

Carolina Cerqueira anunciou que este ano o país vai aderir ao projecto de “confi nar a enxada manual no museu”, em resposta a uma campanha lançada o ano passado pela União Africana. “Colocar a enxada no museu e ajudar a mulher rural a ter acesso à mecanização agrícola será das nossas prioridades, para dignifi carmos o penoso trabalho que elas desenvolvem e que ajuda a alimentar o país”, justifi cou. A adesão deste projecto será feita com a inauguração de uma estátua num município do país, que representará a autonomização das camponesas através do alavancar da pequena mecanização agrícola e a promoção da transferência da produção em todas as cadeias de valor do sistema produtivo.

Prestação de contas

No seu discurso, apontou que, para o presente ano económico, será importante reforçar os mecanismos de acompanhamento e fi scalização para permitir que se faça a prestação de contas, através de relatórios de progresso e a sua avaliação, “propondo correções e ajustamentos sempre que necessário e em tempo oportuno”.

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