Julgamento de advogado “maltratado” adiado pela 2ª vez

Marcado para hoje, na 1ª Secção da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal de Comarca de Benguela, o julgamento sumário do advogado estagiário Eugénio Francisco Marcolino foi adiado pela 2ª vez, depois de ter conhecido o primeiro adiamento no passado dia 28 de Fevereiro.

O motivo do adiamento, segundo uma nota daquele Tribunal de Comarca, assinada pela secretária judicial Flora Lopes, está relacionado com o estado de saúde do réu, que não está ainda em condições de fazer-se presente no tribunal. O advogado estagiário Eugénio Francisco Marcolino, que diz ter sido vítima de brutalidade policial, detido em pleno exercício da sua profissão, foi agredido e posteriormente transportado para as instalações do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Benguela na carroçaria de um carro da Polícia, deitado no “chão do carro” e pisoteado pelos agentes que o transportaram. tendo, chegado ao local, sido encarcerado numa cela em que se encontravam meliantes altamente perigosos

. Eugénio Marcolino, que defendia uma mulher envolvida em cenas de pugilato por questões passionais em Benguela, disse que a ordem da detenção terá sido dada pelo comandante Caquisse, da 4ª esquadra do bairro Cassoco, sem razões plausíveis. Na Sexta-feira, 28 de Fevereiro, o bastonário da Ordem dos Advogados de Angola (AAO), Luís Monteiro, defendeu a suspensão provisória do comandante da Polícia em Benguela, Aristófanes dos Santos. Luís Monteiro pediu a responsabilização política de Aristófanes dos Santos e do porta-voz da Polícia em Benguela, Filipe Cachota.

“Vamos pedir a responsabilidade política ao Comando Geral da Polícia Nacional, uma vez que entendemos que os pronunciamentos do porta-voz da corporação em Benguela foram infelizes. Vamos requerer que o portavoz e o comandante provincial sejam suspensos das funções”, disse Luís Monteiro.

Desmentida tentativa de rapto

De acordo com um ofi cial, a Polícia Nacional, movida por uma ordem do Tribunal e do Ministério Público, terá ido à clínica do Doutor Célsio, onde o advogado estava internado, para se inteirar do quadro do paciente e desaconselhá-lo a continuar a receber assistência médica e medicamentosa naquela unidade privada, quando existe um hospital público à disposição.

A fonte policial, que entretanto desmente quaisquer tentativas de rapto, salienta que, postos no local, não encontraram o advogado. “Primeiro, é que ele fala que foi espancado, mas o relatório médico diz que não houve espancamento e, mais, ele foi diagnosticado com paludismo.

A Polícia não o espancou”, defende -se. A nossa fonte se questiona como é que a Polícia iria raptar alguém que na hora dos factos não se encontrava na unidade sanitária, onde era expectável que estivesse, uma vez que o argumento para não ir ao tribunal era porque estaria incomodado após o espancamento de que, supostamente, teria sido vítima?

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