O medo, a incapacidade e o isolamento

O Estado angolano proibiu a entrada de cidadãos vindos directamente de alguns países em que estão confi rmados casos de Coronavírus. Felizmente, os países citados, na maioria, ou todos mesmo, não têm ligações directas com Angola. Mas na véspera da entrada em vigor da medida, ontem, foram anunciados casos positivos de Coronavírus em Portugal e no Brasil, países com os quais há ligações aéreas directas e que são rotas para a saída e vinda até de delegações ofi ciais do Governo.

Ou seja, trancamos as portas e nos isolamos do mundo. Mas isto só se o Governo for coerente e fechar também as portas a Portugal e ao Brasil. Portanto, a TAAG pode começar a rever as contas para este ano porque o prejuízo é certo. Aliás, é preciso refazer as contas da economia toda, dada a ligação, e às vezes dependência da economia angolana às daqueles dois países e à da China. Mas nem isso vai manter o vírus de fora, se chegar às nossas fronteiras. O fechar de portas é a assumpção de duas coisas: medo e incapacidade para lidar com o vírus.

E é também uma acha a mais na fogueira do pânico. O que deve ser feito é apostar ao máximo na informação, é não fazer do Covi-19 a única potencial causa de morte, é não cair na histeria geral e dizer às pessoas como podem preparar o organismo para lidar com a infecção, já que, na verdade, a percentagem de casos mortais é absolutamente reduzida. Pelo ritmo a que se revelam novos vírus todos os anos, o melhor é pedir por empréstimo o muro de Trump.

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