Administrador do Curoca defende orçamento maior para combater a pobreza nas comunidades

Embora esteja a chover com regularidade na província do Cunene, no município do Curoca a fome ainda persiste, sendo que os frutos das sementes lançadas à terra só serão colhidos em Junho e Julho do ano em curso

A informação foi prestada a OPAÍS pelo administrador municipal Mbambe dos Santos, à margem do Encontro Nacional dos Administradores Municipais realizado de 2 a 4 de Março, em Luanda, tendo apelado ao Governo central para fazer uma revisão orçamental para as administrações municipais. Para a execução dos vários projectos em carteira, o administrador disse que os 25 milhões de kwanzas cabimentados aos municípios são insignificantes, devido à especificidade de cada circunscrição, como é o caso do seu.

“O Curoca é um dos municípios mais pobres e havia uma necessidade de ter algum acréscimo em termos de orçamento, mas, infelizmente, não é o que aconteceu, e achamos oportuno trazermos esta discussão a este encontro para ver também alguma melhoria para os próximos anos”, justificou. Disse ter sido importante lançar este apelo a quem de direito, neste encontro, que reuniu os 164 administradores municipais e 18 vice-governadores provinciais para o Sector Político e Social, para melhor reflexão sobre o assunto pelos decisores.

Recordou que o programa de combate à fome e à pobreza está a ser implementado desde 2017, mas até hoje persistem os mesmos problemas porque, na sua opinião, os 25 milhões de kwanzas cabimentados não têm impacto na resolução deste problema. Mbambe dos Santos afirmou ainda que no Curoca falta de tudo um pouco, desde o acesso aos melhores serviços sociais, como escolas, centros médicos, hospitais, vias de acesso, e outros serviços básicos. Para se inverter o quadro, o responsável insiste na revisão do orçamento atribuído aos municípios, para melhor se desenvolver os projectos, sobretudo os direccionados ao combate à fome e à pobreza.

Fome

Sobre esta situação, o administrador municipal do Curoca disse que, apesar de não haver mais mortes de pessoas devido à fome, em função do apoio prestado pelo Governo central, o quadro inspira ainda cuidados. “Ainda clamamos e achamos que seria importante que tivéssemos de receber mais algum apoio daquela dimensão”, disse Mbambe dos Santos, que apelou que este apoio deve continuar, para se evitar mais mortes ou outros males maiores. Embora esteja a chover desde finais do ano passado, em toda a província do Cunene, a colheita da produção das sementes lançadas à terra só será feita entre Junho e Julho, daí a necessidade de serem redobrados os apoios com alimentos às comunidades. “Entendemos que há uma necessidade premente no sentido de se continuar a fazer os apoios necessários, para que a população tenha alguma força, para sua alimentação”, disse.

Estiagem

Sobre a estiagem prolongada que afecta o município, disse que a Administração Municipal do Curoca continua a trabalhar com os proprietários de fazendas para a abertura de furos da água.

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