Hora de o Estado sair

A feira mundial de mobile de Barcelona, por exemplo, é organizada por uma entidade que não o Governo espanhol, ou o catalão, tal como o são muitas outras feiras e fóruns. Os interesses empresariais e associativos são tantos e tão vastos, e muitas vezes tão distintos dos dos Estados, que faz, realmente, sentido que os intervenientes nas áreas de negocio ou de desenvolvimento tratem eles próprios dos seus encontros e exposições. E também da comunicação. Aqui não. O Angotic, por exemplo, é organizado e comunicado pelo Governo. Não faz qualquer sentido. E mais ainda numa área tão dinâmica quanto a das novas tecnologias de informação e comunicação. Isto quer dizer que deve o Estado lavar as mãos? Não, claro, que não. Deve apoiar e tirar partido o quanto puder. E reservar-se também. O Estado não deve querer fazer tudo, muito menos quando estão por cá empresas bem mais entendidas nestes assuntos. O que mais faltava era agora ver as sturtups alinhadas num programa e numa apresentação organizados pelo Governo. Se estamos a falar de iniciativas criativas, e muitas vezes revolucionarias, e até irreverentes, então que tenham um espaço menos condicionado. O Ministério já tem muito com o que se entreter. Criar condições “ambientais” para que as sturtups se desenvolvam é tudo o que se espera do Estado. Nada mais. Ou, se calhar, não se quer mesmo atrair investimentos.

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