Muangala ordena abertura de inquérito no concurso público da educação

A Procuradoria Geral da República na Lunda- Norte diz haver fortes indícios de corrupção no concurso público de ingresso na Educação, com pessoas admitidas mas sem nenhum processo de candidatura

O governador provincial da Lunda- Norte, Ernesto Muangala, ordenou a abertura de um inquérito para averiguar as irregularidades registadas no concurso público da Educação de 2019 nesta província. Num despacho a que OPAÍS teve acesso, Ernesto Muangala deu até 15 dias (a contar do dia 26 de Fevereiro) para a comissão chefiada pelo vice-governador, Lino dos Santos, apresentar os resultados onde estarão na mira do referido inquérito o Gabinete Provincial da Educação e as referidas direcções municipais. A comissão que integra outros quatro membros seniores do pelouro da Lunda-Norte, tem a tarefa de examinar e apurar a veracidade dos factos com base nas denúncias feitas, para a consequente tomada de medidas. No documento, o Governo Provincial lembra que o processo do concurso público encontra-se sob custódia da Procuradoria- Geral da República junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Candidatos apurados sem processo

Recentemente, o procurador-geral adjunto da República na Lunda Norte, Domingos Espanhol, disse que existem fortes indícios de corrupção no concurso público de ingresso à Educação, realizado em 2019. O magistrado, que falava numa palestra sobre “Corrupção, nepotismo e impunidade”, promovida pelo governo local, revelou que existem cidadãos apurados, mas sem processo de candidatura.

O porta-voz do SIC na Lunda Norte, Veríssimo Pandamari, disse haver fortes indícios de actos de corrupção, tráfico de influência, nepotismo e compadrio. Caso se confirmem as irregularidades, segundo o oficial do SIC, o concurso será anulado e os presumíveis prevaricadores serão responsabilizados civil e criminalmente. No total, foram apreendidos pela PGR dois mil e 392 exames de admissão para análise e investigação.

Bengo sob as mesmas suspeitas

Na província do Bengo, o cenário não é diferente e as suspeitas de fraude levaram também a governadora Mara Quiosa a criar uma comissão de inquérito para averiguar as denúncias de eventuais irregularidades. No concurso público de ingresso na carreira de professores do ensino primário e secundário nesta província se inscreveram 23 mil e 784 candidatos para 489 vagas existentes. No entanto, após a afixação dos resultados finais, grande parte dos concorrentes manifestou-se descontente, sobretudo nas redes sociais, apontando a falta de transparência no processo. Importa realçar que as irregularidades nos concursos públicos no sector da Educação levou a demissão, em 2018 do director do gabinete provincial do Bié, e em 2019 do seu colega do Zaire. O primeiro, por exemplo, foi detido pelo SIC, acusado de ter feito cobranças aos candidatos que participaram do concurso público de 2018. Na altura, uma fonte familiarizada com o processo na Procuradoria da República local disse a OPAÍS que o acusado criou uma equipa que realizou cobranças ilegais de 1000 Kz (mil kz) a cada um dos cerca de cinco mil candidatos que se inscreveu para concorrer a uma vaga no sector, uma taxa que não está prevista por lei.

error: Content is protected !!