Novas barragens diminuem efeitos das cheias em Cambambe

A construção de barragens no ciclo hídrico do médio Kwanza na redução dos efeitos negativos das águas que afluem a partir da nascente do rio Kwanza, no Sul de Angola, adiantou o administrador para a área de Produção Hídrica da Empresa de Produção de Electricidade (Prodel), Pedro Afonso

O responsável que disse ontem em entrevista à Angop, à propósito das cheias do rio Cuanza, que afecta há duas semanas as populações ribeirinhas da comuna de Massangano, no município de Cambambe. Afirmou que esta situação faz parte do ciclo natural, devido às chuvas que caem com regularidade no país e que originaram o alcance da quota máxima das albufeiras das barragens de Capanda, Laúca e Cambambe. Salientou que caso não existissem essas barragens, pela sua localização geográfica, a cidade do Dondo, sede do município de Cambambe, seria alvo de constantes inundações, sempre que se registassem chuvas com regularidades, à semelhança do que ocorreu na década de 50 e em 2005.

Esclareceu que a construção da barragem de Laúca e a ampliação da barragem de Cambambe fez aumentar o volume de água retida nas albufeiras, obrigando a “Prodel” a libertar o excedente, um processo iniciado há dois meses. “A albufeira da barragem de Capanda, ocupa uma superfície de 164 quilómetros quadrados, Laúca com 188 quilómetros e Cambambe com seis quilómetros, todas elas com o pico máximo da sua capacidade de armazenamento”, frisou. O responsável sublinhou que estes investimentos, além de aumentar a produção de energia, visou igualmente, mitigar o impacto negativo das águas que afluem a partir da nascente do rio Kwanza, sobre às zonas residenciais.

O mesmo refutou as opiniões de certos segmentos da sociedade que atribuem as constantes inundações das regiões ribeirinhas deste rio às barragens edificadas ao longo do médio Cuanza. Detalhou que até Dezembro de 2019, a barragem de Cambambe absorvia perto de 400 metros cúbico de água/segundo, correspondente a perto de 400 mil litros de água/segundo. Esta quota elevou-se para dois mil e 600 metros cúbicos/segundo (2 milhões e 600 mil litros/segundo), no mês de Fevereiro, o que implicou a abertura das comportas para a descarga das águas excedentárias para evitar colapso na infra-estrutura. Explicou que a subida dos níveis de água nas diferentes albufeiras depende dos afluentes nos trechos entre uma barragem e outra, sendo a barragem de Cambambe, a que mais consequência sofre, por ser a última do médio Cuanza e, que absorve todas as águas do curso do rio em toda à montante.

Apesar das condições do ciclo natural, a “Prodel”, em coordenação com o Inamet e as autoridades locais tem desenvolvido acções de sensibilização das populações sobre as medidas de segurança a serem observadas. Porém, devido à inobservância destas medidas, prosseguiu, as populações continuam a sofrer as consequências da acção das chuvas, sobretudo com a inundação dos campos de cultivo e residências construídas à beira do rio. Admitiu não poder prever o fim das cheias, já que da segunda quinzena do mês de Março até finais do mês de Abril, ser o período de maior intensidade das chuvas, de acordo com os ciclos pluviómetricos, apesar de nesta altura se registar a redução do volume de água em alguns afluentes do Cuanza, como os rios Ngango, Cangandala, Ndande e Cuinge.

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