Padre católico detido em Benguela por suspeita de corrupção na venda de casas

o serviço de Investigação Criminal deteve, na tarde de Terçafeira, 03, o padre Valentino Joaquim Jamba, por suspeita de corrupção no processo de atribuição de casas nas centralidades de Benguela, soube O PAÍS de fontes judiciais

 Constantino Eduardo, em Benguela

As nossas fontes esclarecem que o também director do Instituto Católico Religioso de Angola (ICRA) foi encontrado em posse de mais de um milhão e duzentos mil kwanzas, valor que teria sido cobrado de forma ilegal a cidadãos que lutam por uma das 6 mil habitações nas centralidades de Lobito, Catumbela e Baía-Farta. “Não se sabe qual seria o esquema que permitia a Valentino Jamba inserir processos de cidadãos em listas que tiveram direito a casas para os seus trabalhadores, mas é um facto que a detenção está associada à azáfama na corrida às centralidades”, disseram, sob anonimato.

De acordo com um jurista contactado por OPAÍS, que não se quis identificar, ao se confirmarem as suspeitas, o sacerdote, da Paróquia da Sé Catedral, incorre em crime de corrupção – activa e passiva – e tráfico de influência, sendo certo que, nos termos da lei, a questão de presunção de inocência dever ser devidamente salvaguarda, até transitar em julgado.

A insatisfação institucional Preocupado com o ocorrido, o governador provincial de Benguela, Rui Falcão, terá proposto uma “reunião de emergência” com a comissão que, a nível do Governo, coordena o processo de selecção e atribuição de casas, a fim de se inteirar sobre o assunto e tomar as medidas que se acharem convenientes, soube este jornal. Segundo as mesmas fontes, o governador manifesta-se chocado com o sucedido, uma vez que ele, desde que chegou a Benguela, está a liderar e a combater toda e qualquer prática que lese o interesse público.

Aliás, sobre matéria de corrupção, Rui Falcão afirmou, na audiência que concedeu a empresários dos Países Baixos nesta Quarta-feira, 04, precisamente no dia da detenção do presbítero, que o seu Governo está empenhado a combater qualquer prática que pusesse em causa o ambiente de negócios em Benguela, com destaque para a figura do “governante-empresário”, garantindo que não o é, por não ter “jeito para isto”.

Diocese de benguela confirma detenção Contactado pela imprensa, a Diocese Católica de Benguela, por via do seu porta-voz, padre Zeferino Capoco, confirmou a detenção do sacerdote, mas, não estando cá (em Benguela) o bispo Dom António Jaka, ele não se podia pronunciar sobre o caso. Uma fonte da igreja confidenciou que, dada às responsabilidades que pesam sobre o sacerdote, e até para limpar a imagem da igreja, talvez fosse melhor que, independentemente do desfecho do processo, o bispo o exonerasse do cargo de director do Instituto Católico Religioso de Angola em Benguela, funções que assume desde 2018, ano em que foi implantado em Benguela.

O político e activista social Martins Domingos refere que actos dessa natureza contrariam o princípio constitucional de igualdade de tratamento e, como tal, comprometem a idoneidade de um processo que se julgava sério. Até altura que expelíamos esta peça não se tinha dados relativos à defesa do padre.

Governo de Benguela demarca-se

Entretanto, em nota tornada pública, o Governo de Benguela, por via do Gabinete de Comunicação Social, demarca-se do caso do padre detido, esclarecendo que nada tem a ver com o processo levado a cabo concernente à venda de habilitação a funcionários do Estado. De igual forma, sublinha a nota informativa, o trabalho de intermediação para a venda de residências aos funcionários do Estado foi exemplarmente coordenado pelo reverendo padre José Inácio, assessor do governador provincial de Benguela, não existindo, neste caso, qualquer ligação entre este e ao que está à contas com a justiça.

“Aproveitamos para informar que o processo de venda livre será interrompido até que termine a entrega das residências aos funcionários dos Estado, previsto para Junho”, refere a nota. Saliente-se que o processo de venda de casas é encabeçado pelo Fundo de Fomento Habitacional. Nos próximos dias, dar-se-á a fase do sorteio, a chamada venda aberta ao público. A mensalidade vai de 38 a 41 mil kwanzas.

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