União Africana distingue angolana protectora dos mangais

fernanda renée, líder do projecto Otchiva, de reflorestação de mangais na orla costeira angolana, recebeu o certificado de distinção da vice-presidente da Gâmbia, Fatoumatta Tambajang, e da comissária da organização continental, Josefa Sackó

Para a jovem angolana que foi distinguida neste Terça-feira, 3, na Serra Leoa, o reconhecimento da União Africana (UA) representa uma abertura para alcançar maior sensibilização no apoio efectivo aos ecossistemas e influência para a criação de uma lei específica sobre a protecção dos mangais. Em entrevista a OPAÍS, Fernanda Renée disse que para o projecto Otchiva este prémio é a demostração do trabalho que Angola está fazer, por intermédio de jovens, para o repovoamento desta espécie que absorve cinco vezes mais dióxido de carbono que as outras plantas. O seu acto de generosidade para com o meio ambiente e as gerações futuras acabou por inspirar jovens de outros países da orla costeira africana a tomarem acções concretas. Internamente, o projecto já mereceu reconhecimento do vice-presidente da República, Bornito de Sousa, que contribui para a maior sensibilidade ao trabalho que têm vindo a realizar.

Resultados visíveis Fernanda Renée, que é também membro fundadora do Fórum Energia e Clima, criado por jovens membros de países de Língua Portuguesa (CPLP) com o objectivo de dar respostas aos problemas contra as alterações climáticas, realça que os resultados da luta levada a cabo pelos angolanos já são visíveis. Aliás, recentemente, um grupo de voluntariado francês denominado Action, esteve em Angola, a convite da petrolífera Total, para fazer um filme sobre a protecção de mangais que será divulgado internacionalmente. O projecto Otchiva está a promover o uso sustentável dos mangais, assim como o bem-estar dos seres vivos que deles dependem, através de campanhas de limpeza, sensibilização e investigação científica. Morro dos Veados, Ramiros e Mussulo (em Luanda), e outras zonas do Lobito (em Benguela), para além dos mangais constituem o habitat dos flamingos e outras aves. O estado de conservação em que se encontram serve de exemplo do trabalho realizado pela equipa de Fernanda Renée.

Trabalham para o projecto Otchiva, que deu os seus primeiros passos há dois anos na província de Benguela, mais de mil voluntários. Actualmente abraçam a causa o Ministério das Pescas e do Mar e a petrolífera Total. Angola entrou na rota internacional de reflorestação dos mangais depois de ter conseguido, em Dezembro de 2019, plantar 31 mil e 241 mangues. Desde a sua fundação, o projecto desenvolve acção em Benguela, Luanda e Soyo (Zaire). Estender para Cabinda, Cuanza-Sul e Bengo é meta interna. Neste momento, Angola, México e Brasil lideram o processo de reflorestação de mangais com maiores números de hectares preenchidos. Mangues são plantas consideradas berçários dos seres vivos que habitam no mar e rios e surgem em ambiente tropical e semi-tropical, onde normalmente existe o ecossistema de mangais.

Entraves ao projecto

Fernanda Renée queixa-se das dificuldades que têm encontrado para o cumprimento cabal da sua tarefa. Disse que a ocupação em zonas de mangais para a construção de infra-estruturas como casas e hotéis e o descarte de esgotos fazem parte das preocupações e não têm facilitado a tarefa. Apontou como exemplo o município do Lobito, onde recentemente foi feita uma campanha de limpeza e sensibilização, mas uma semana depois a população voltou a colocar lixo em locais já limpos. Fernanda Renée lembra que a restauração das áreas de protecção de mangais só será possível com a consciencialização das pessoas e pediu maior envolvimento dos governos locais, em particular das administrações.

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