Covid-19, o problema angolano

O problema do Governo angolano agora é o Covid-19. Nem é necessário que ele desembarque no nosso país, aí onde está já faz estragos mais do que suficientes para atirar o país às cordas. Não estou a exagerar. É preciso descolar os olhos do umbigo e rever tudo, incluindo estratégias económicas, se é que Angola tem grandes espaços de manobra. E repensar o OGE. A OPEP resolveu, ontem, cortar a produção em mais um milhão e meio de barris de petróleo por dia, por força do travão que o novo Coronavírus impôs à economia mundial. O crude é praticamente o nosso único produto de exportação e se a procura por ele cai, não teremos entrada de divisas assim tão cedo, pelo menos em resultado do comércio, das exportações. Ontem mesmo o Governo recuou na sua decisão de não deixar entrar ninguém que venha de países afectados pelo vírus. Uma decisão acertada que deveria ser total, recuou apenas para alguns. Mas agora também a África do Sul já tem o vírus. Na lógica da proibição original, agora a TAAG praticamente teria de ficar com os aviões em terra. Mas entende-se a atitude do Governo, Angola não tem sequer laboratórios para lidar com o vírus, muito menos capacidade para lidar com a infecção de dezenas de pessoas. Ou mais. Há que esperar pelo Verão no Norte, se o calor neutraliza mesmo o Covid-19, só que por aqui será Cacimbo. E como se partiram as pontes internas e não se sabe se voltou dinheiro algum dos “shows eurobics”, agora há que escolher entre o assistencialismo económico (mas não há dinheiro); as receitas acordadas com o FMI (maka social à vista); e uma magia qualquer que permita animar a produção e os mercados internos e cumprir democraticamente os compromissos políticos.

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