igrejas entram no combate à malária nas zonas fronteiriças

O Comité inter-religioso de Luta contra a Malária em angola, constituído por líderes de diferentes instituições religiosas, anunciou, ontem, em Luanda, um plano estratégico com vista a contribuir para a eliminação da malária nas zonas fronteiriças entre o país, a Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe

Obispo diocesano da Igreja Anglicana, Dom André Soares, disse, em conferência de imprensa, que a igreja está comprometida na luta contra a malária e, em parceria com o Governo angolano, está a evidenciar esforços para a prevenção e eliminação da doença. “Acreditamos que todos os países que já eliminaram a malária não o fizeram apenas com a acção do Governo, mas conjunta, envolvendo toda a comunidade. Pensamos que não podemos continuar em silêncio”, disse. Dom André Soares fez saber que as fronteiras Angola-Namíbia e Angola-Zâmbia devem estar limpas para permitir que esses países eliminem a malária, uma vez que o mosquito, o principal transmissor da doença, não precisa de visto. Um problema
que aflige os dois países vizinhos de Angola. O bispo referiu ainda que a malária continua a ser a principal causa de mortalidade em Angola e não se pode dormir enquanto ela existir. Deve ser um trabalho feito por todos, pelo que constitui também um desafio da igreja. Neste sentido, a sua organização prevê implementar um programa de treinamento de técnicas de prevenção e eliminação da doença.

O primeiro programa de treinamento vai abranger cinco províncias, nomeadamente o Namibe, Cunene, Cuando Cubango, Moxico e Huíla, e os formadores serão especialistas do Ministério da Saúde. “Essas cinco províncias são fundamentais na primeira fase do nosso trabalho para que Angola não seja apontada como a responsável pelo facto de os outros países não conseguirem eliminar a malária”, afirmou.
Causa de imensa dor e luto O líder religioso salientou que a malária provoca diariamente dor e luto nas famílias. Por essa razão, decidiram não continuar em silêncio, tendo em conta os níveis elevados de malária comparativamente aos países vizinhos. Para ilustrar a gravidade da doença, disse que o mundo está a ser assolado pelo Coronavírus, que em certos países tem provocado a morte de três a quatro pessoas, o que é já um problema sério de saúde pública. “Precisamos de nos engajar como os outros países da região e juntamente com o Programa Nacional da Luta contra a Malária do Governo salvar a Nação angolana. Segundo a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADEC) e a União Europeia, temos como meta 10 anos”, frisou.

Envolvimento comunitário visto como solução para o combate à doença

Dom Abdré Soares defendeu, em conferência de imprensa, que o envolvimento comunitário é fundamental para o combate à malária. O encontro teve como foco principal “a necessidade de se trabalhar juntos visando a eliminação da malária no país”. Esclareceu que a iniciativa surge em resposta ao compromisso assumido pelas igrejas em dezembro do ano passado, no âmbito da eliminação da malária na região da SadC, sob coordenação do Ministério da Saúde de angola, através do Programa Nacional de Luta contra a Malária.

Por sua vez, a secretáriageral do Conselho de igrejas Cristãs em angola (CiCa), reverenda deolinda dorcas Teca, fez uma retrospectiva de quando em 2011 a organização Fallon Foundation convidou as igrejas a nível de África, sobretudo, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana e Namíbia, a se envolverem na luta contra a malária e angola também abraçou a causa. “dentro desse Projecto da Luta Contra a Malaria, o que se quer é que até 2030 possamos eliminar a malária. Por isso é que existe um lema que é: ‘o Combate à Malária Começa Comigo’.

Queríamos engajar a comunidade toda nessa luta, tendo em conta que existem diferentes sectores que podem, realmente, contribuir nessa luta, como a comunicação social”. Tendo em conta o lema do projecto da União africana que define “o fim da malária começa comigo”, garantiu que os países da África austral estão decididos a erradicar a malária até 203, e apoiam o envolvimento imperioso da liderança religiosa e das igrejas pelo facto de reconhecerem que a malária constitui um problema para sobrevivência das comunidades.

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