Benguela registou 60% dos crimes da província na última semana

Na província com o mesmo nome, o município de Benguela é o que apresenta maior crescimento, maior número de serviços, maior oferta remuneratória, alberga a maior parte da população, logo, é também onde se assinala o maior número de crimes. Segundo as estatísticas avançadas ontem pela Polícia, no total de 78 crimes reportados em uma semana, 47 sucederem na sede provincial

Benguela tem perdido a categoria de “acolhedora” para “insegura” pois, se antes, o perigo residia apenas após anoitecer e em zonas não urbanizadas, agora, está em plena luz do dia e no centro da cidade. Na última semana, o índice de criminalidade provincial concentrou- se no município sede de Benguela numa proporção que dista dois dígitos da próxima municipalidade na lista, excedendo-a mais de três vezes, reunindo 60% das ocorrências criminais.

No período de 26 de Fevereiro a 3 de Março de 2020, a Polícia Nacional em Benguela cadastrou 78 infracções, das quais 47 ocorreram na cidade de Benguela. Olhando-se para a província como um todo, houve a diminuição de 12 crimes, comparativamente aos números colhidos do intervalo anterior, porém, no município sede, a redução foi de somente 3 transgressões. Para se saber e compreender as razões da proporção apresentada em relação às demais 9 municipalidades, o sociólogo José Mulangue defende que um estudo deva ser feito, envolvendo factores-chave como educação, emprego e cultura.

Quando ser a maior significa maiores problemas…

Para o sociólogo, por Benguela ter “o maior centro urbano”, mais habitantes, acumulando “o maior número de serviços”, são circunstâncias que, confrontadas com o desemprego, frustração de aspirações e crise, propiciam o aumento da criminalidade. Numa perspectiva sociológica, porém, sem estudos específicos neste caso, Mulangue declarou que, nas zonas rurais a “solidariedade mecânica, a cultura” e porque a maioria trabalha na mesma área, agricultura, pode justificar a menor recorrência à criminalidade. Já na cidade, há “maior dispersão em termos de costumes”, enquanto nos campos ainda tende a haver maior proximidade, “todos se conhecem”, disse, o que pode servir de orientador moral em alguns casos. Comparando Benguela aos demais municípios da província de igual nome, “por concentrar a maior parte das actividades e serviços, também há uma pressão maior em termos de capacidade de resposta por parte dos cidadãos”, alvitrou. Como resultado, os cidadãos “exigem mais, reclamam mais, sentem-se mais excluídos, muitas mais pessoas vivem à margem da sociedade, e refugiam-se nos crimes”, por vezes como alternativa para “resolver os seus problemas”, ponderou o sociólogo.

Vítimas das estradas, drogas, crueldade e doenças

Na semana alvo de análise, seis cidadãos perderam a vida em acidentes rodoviários, registou-se um homicídio, duas violações de menores e nove crimes económicos, culminando na detenção de 43 indivíduos na província de Benguela. Dentre os oito cadáveres, todos homens, removidos de residências, da costa marítima e de uma fossa, consta um cidadão encontrado morto em casa, no Chongoroi, tendo sucumbido por “intoxicação alcoólica”. Representando as municipalidades do litoral as cidades com maior fluxo financeiro, no ranking da criminalidade, a seguir a Benguela está o Lobito, com 14 acções criminosas cadastradas no mesmo período de sete dias. Já nos municípios do interior da província, do relatório policial poder- se-ia inferir alguma sensação de tranquilidade e segurança, dado haver em média 1,7 crimes por município, em uma semana.

Mas não. Porque, o único crime assinalado no Chongoroi numa semana foi um dos mais aterradores, a violação de uma menor de 13 anos de idade, por um indivíduo de 25, já detido, que ameaçou matá-la. E, no Lobito, outra menina, de apenas 12 anos, foi violada, na via pública, por um indivíduo de 61 anos. Manuel Frederico, o agressor, está detido e, segundo se apurou, não tem ocupação profissional. No parâmetro das apreensões feitas pela polícia destacam-se 4 quilogramas de marijuana, vulgarmente chamada de “liamba” e uma arma, sendo as drogas e armas de fogo itens constantemente presentes nos artigos confiscados.

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