Democracia de silêncios

Olhe-se para os últimos dez anos e avalie-se com calma e sinceridade a redução do espaço de debate democrático em Angola. Jornais como o Semanário Angolense, o Angolense, a A Capital, o Agora, o Folha 8, o Semanário Económico e outros deixaram de circular. Citei apenas aqueles com maior projecção e que eram já certezas no espaço das ideias e da informação em Angola. Hoje, a circular em papel todos os dias existe apenas o Jornal de Angola. OPAÍS circula em PDF e luta para voltar ao papel, o que pode parecer um paradoxo nos nossos dias tecnológicos, mas não em Angola. Mas OPAÍS existe e tem o seu espaço diário de grande influência. Os outros morreram mesmo. O Novo Jornal sai às sextas-feiras, com reduzida tiragem, e produz uma newsletter diária. Está a preparar-se para apostar mais na Internet também. Há outros jornais que tardam na sua afirmação como referências nacionais. OPAÍS é um jornal importante e afirmado, expandiu, em muito, a audiência com o seu PDF diário, no seu portal e nas redes sociais, lidera. Quer ter papel porquê? Porque na maior parte das aldeias e vilas não há Internet e lá é Angola também, porque quem lá está é cidadão também. E a democracia não se faz de silêncios, faz-se de debate, de informação. A Constituição angolana acaba de completar dez anos de existência e neste tempo “deixou” erodir-se um dos seus maiores escudos: a pluralidade da informação. Estreitou-se a qualidade da democracia e é assim que o país pretende instituir as autarquias, com apenas um jornal diário em papel e que não chega a um décimo da população de Luanda.

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