O medo do medo

POR: José Manuel Diogo

O medo do perigo é mil vezes pior que o perigo real, dizia o escritor inglês do seculo XVII Daniel Dafoe. Esta epidemia de Coronavírus é a prova disso. Basta saber contar e estender de estatística. É tudo tão óbvio que dispensa uma teoria da conspiração. Até ontem, dos 97 mil casos detectados, 80 mil ocorreram na China; considerando que a esmagadora maioria ocorreu em Wuhan – cidade de 11 milhões de habitantes — concluímos que incidência da doença na cidade epicentro do surto é inferior a 1%. Como a população total da China ronda os 1.437 mil milhões de habitantes, menos de 0.00006% da população chinesa está infectada. No que diz respeito a mortes, a Organização Mundial de Saúde informa que na faixa mais vulnerável da população — as pessoas com idade superior a 80 anos — a taxa de mortalidade é de 14.8%. Isto é: um respeitável senhor de 85 anos, que more em Wuhan, tem uma chance de 0.7% de coronar, mais uma probabilidade de 14.8% de morrer disso. Tudo somado, esse senhor azarado tem uma possibilidade global de 0.1% de morrer da doença! Nas restantes faixas etárias, a taxa de mortalidade é ainda mais reduzida. Em alguém com idade compreendida entre os 30 e os 39 anos de idade, a taxa de mortalidade é de 0.2%. Repetindo aritméticas, uma jovem de 35 anos que viva em Wuhan tem uma probabilidade de 0.7% de se infectar e, infectando-se, a chance de encontrar o criador via corona é de 0.2%. Probabilidade global de falecimento: 0.000000001%. Não há razão alguma para alarmismos. Esta nova estirpe de vírus é real, mas não ao ponto de nos prepararmos para um cenário pós-apocalíptico. Mais do que incutir o “fearmongering” (culto do medo), aquilo que as mídias e os políticos devem fazer é explicar à população quais as medidas – bem simples — para limitar a transmissão do vírus. Evitar contactar com pessoas que tenham sintomas como tosse ou falta de ar, bem como pessoas com febre; Evitar tocar directamente nos olhos, nariz e boca; tossir e espirrar sempre para um lenço de papel e deitá-lo no lixo logo de seguida; lavar as mãos com água e sabão depois de ir ao WC, tossir ou espirrar, antes de comer e, se possível, antes de tocares no nariz, olhos ou boca; ao lavar as mãos, tem particular atenção ao espaço entre os dedos e debaixo das unhas e nunca demores menos de 20 segundos; se não tiveres água ou sabão disponível, utiliza uma solução alcoólica com pelo menos 60% de álcool; lavar e desinfectar bem as maçanetas de portas e outras superfícies nas quais se toque com frequência. Se não tiveres sintomas não é preciso utilizar máscara.

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