Amílcar Cabral é o segundo maior líder mundial de sempre para a BBC

fundador do Paigc, descrito como o “grande combatente pela Independência africana”, reuniu mais de um milhão de guineenses para se libertarem da ocupação portuguesa. Cabral ficou à frente de Winston Churchill, Catarina, a Grande, ou o faraó Amenhotep III, segundo o Público

O ideólogo das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi considerado o segundo maior líder mundial de todos os tempos, numa lista elaborada por historiadores para a BBC. A lista é da revista BBC World Histories Magazine e foi feita por historiadores, que nomearam aquele que consideram ter sido o maior líder – alguém que exerceu poder e teve um impacto positivo na humanidade.

Num trabalho que começou no início do ano, a revista contou com a colaboração dos mais destacados historiadores e com a votação de leitores, que escolheram como maior líder de sempre Maharaja Ranjit Singh, líder do império sikh do início do século XIX. Maharaja Ranjit Singh foi considerado um modernizador e unificador, com um reinado que marcou uma era muito positiva para o Punjab e o Noroeste da Índia. Teve mais de 38% dos votos. E logo a seguir, com 25% dos votos, aparece Amílcar Cabral, descrito como o “combatente pela Independência africana”, que reuniu mais de um milhão de guineenses para se libertarem da ocupação portuguesa, uma acção que levou outros países africanos colonizados a lutarem pela Independência. Depois de Amílcar Cabral surge na lista o britânico Winston Churchill, com 7% dos votos, e em quarto lugar o Presidente norte-americano Abraham Lincoln, seguindo-se na quinta posição a monarca britânica Isabel I (15331603).

A lista incluía o faraó Amenhotep III; o rei inglês William III; a imperatriz da China Wu Zetian; a combatente francesa Joana d’Arc; o imperador do Mali Mansa Musa; a imperatriz russa Catarina, a Grande; ou o Papa Inocêncio III, entre uma vintena de nomes. Amílcar Cabral foi escolhido pelo historiador britânico Hakim Adi, especialista em assuntos africanos, segundo o qual a luta de Cabral pela Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde também transformou Portugal. Professor de História de África e de Diáspora Africana na universidade britânica de Chichester, Hakim Adi lembra, ao justificar a escolha de Amílcar Cabral, que grande parte dos países africanos alcançou a Independência no início dos anos 1960, o que não aconteceu com as então colónias portuguesas.

E diz depois que “o grande Amílcar Cabral”, além da luta pela Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, também teve um papel de liderança na libertação de outras colónias portuguesas. E essas lutas armadas acabaram por resultar numa revolução em Portugal “e no início de uma nova era democrática” no país. “Muitos africanos continuam a ser inspirados pela grande liderança de Cabral.

A sua vida e trabalho mostram que, quaisquer que sejam os obstáculos, as pessoas são capazes de ser os seus próprios libertadores”, diz o historiador. Entre os historiadores convidados que escolheram os “seus” líderes contam-se o professor de História e cientista político especializado em história da China da Universidade de Oxford, Rana Mitter, a professora e historiadora da Universidade de Toronto, Margaret MacMillan, ou o historiador e director do Smithsonian’s National Museum of African Art em Washington, Gus CaselyHayford.

Nascido na Guiné-Bissau a 12 de Setembro de 1924, filho de cabo-verdianos, Amílcar Cabral fundou o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), lançando as bases do movimento que levaria à Independência das duas antigas colónias portuguesas. O fundador do PAIGC foi assassinado em 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, em circunstâncias ainda hoje não totalmente claras, antes de ver os dois países tornarem-se independentes.

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