Covid-19 impõe reprogramação macroeconómica

Segundo a ministra, actualmente, os técnicos das Finanças e instituições afins compilam ao máximo informações possíveis para reprogramar todas as variáveis macroeconómicas, como a revisão do PIB, a Inflação, o câmbio, o déficit fiscal, o da balança de pagamentos e todas as suas componentes. Vera Daves, que manteve ontem, Sábado, em Luanda, um encontro com jornalistas, disse que o Coronavírus poderá ter impacto na gestão da dívida pública – que poderá ser um eventual cenário de um menor crescimento económico, redução das receitas, bem como a gestão de tesouraria.

“Temos de fazer os ajustamentos necessários do lado da receita não petrolífera e do lado da despesa para diminuir a diferença”, disse a ministra, quando respondia a algumas questões colocadas por jornalistas angolanos e estrangeiros. Para preencher tal vazio, a titular das Finanças aponta o aumento do endividamento, mas de forma “não agressiva” e o aumento da receita não petrolífera sem prejudicar a vida das empresas e das famílias, olhando para a tributação dos terrenos oficiosos edifícios não ocupados.

“Estamos a acompanhar de perto todo o desenvolvimento, com cuidado e realismo, esperando que os impactos sejam os menores possíveis”, afirmou a ministra, lembrando que o tema “Covid19” não é apenas relacionado à ligação que Angola tem com a China, devido à interdependência. Ao intervir no encontro, o director do Gabinete de Estudo e Planeamento do Ministério das Finanças, Emílio Londa, disse estimar-se que até Abril próximo haja um quadro mais estável, tendo em conta os relatórios que o Fundo Monetário Internacional (FMI) vai publicar no mês em referência.

A mesma fonte referiu que quer Angola e outros países, quer o próprio FMI também estão engajados na sua reprogramação por força do Coronavírus. Avançou estar em curso a análise de todos os possíveis impactos na economia e que um grupo de trabalho, envolvendo técnicos dos ministérios das Finanças, da Economia e Planeamento e do Banco Nacional de Angola (BNA) já trabalha na análise dos eventuais transtornos.

Emílio Londa esclareceu que o Governo de Angola está fazer a reprogramação macroeconómica que, com ou sem o Coronavírus, é efectuada sempre entre Fevereiro e Abril. Com tal reprogramação, acrescentou Emílio Londa, ainda não há necessidade de revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE 2020). “O OGE só é revisto quando as alterações dos pressupostos são significativamente grandes. Só depois destas análises todas e em função dos resultados o Executivo vai concluir se é necessário ou não”, esclareceu.

Coronavírus impacta venda

Para Angola, de acordo com o director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério das Finanças, Emílio Londa, o Coronavírus tem duas dimensões, sendo a primeira voltada para a questão financeira, que vai obrigar que todo o serviço nacional da saúde esteja preparado para o efeito.

A segunda dimensão está virada para a economia, visto que as análises preliminares feitas indicam quatro canais de transmissão ou impacto do Coronavírusvirus para o país, nomeadamente o preço do petróleo que está a cair, o aumento dos produtos importados, tendo em conta a redução na produção por parte de algumas indústrias internacionais e a produção petrolífera, que assiste a uma pressão de redução na produção por parte da OPEP. O quadro sénior das Finanças admitiu estar a ser difícil a venda do petróleo no mercado mundial.

Diante deste cenário, que começa a afectar também alguns países da Europa, além do continente asiático, Angola receia não vir a conseguir vender os habituais carregamentos de petróleo. “A situação está a ser avaliada e (…) vai depender do quão alastrado vai ficar o vírus nos países mais produtivos de bens ”, sublinhou.

Emílio Londa avançou um quarto canal de transmissão do Coronavírus que são os efeitos secundários, referindo-se a um conjunto de “bolhas” no mercado internacional, que não iriam rebentar sem este efeito. A seu ver, esta crise pode ser tanto longa quanto curta, em função da rapidez da descoberta da vacina, que vai permitir a normalização da situação.

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