Agora tem de se ir mais fundo

A Procuradoria Geral da República anunciou a detenção do general na reserva Bento Kangamba e espalhou-se ao comprido ao tê-lo feito como o fez. Depois vieram a imagens do general algemado, o que fez soar muitas companhias. E mais ainda quando os cidadãos perceberam que todo aquele fogo de artifício, que implicou gastos avultados de dinheiro público, com a utilização de uma aeronave e tudo, afinal era relativo a um crime que não era público. Trata-se um problema entre particulares relacionado com dívidas. Vergonhoso para o Estado. Entretanto, tratando-se de valores avultados, e numa altura em que se fala de transparência e de controlo e recuperação de dinheiros públicos, seria de todo avisado que a PGR dissesse quem é o credor neste caso. Seria bom saber-se também de onde lhe veio tal dinheiro emprestado. Que actividade exerce o credor e, já agora, de que negócio se tratou. A PGR deve estas explicações aos angolanos, não vá ser ela própria utilizada para lavagem de dinheiro. Há o risco de alguém que tenha roubado dinheiro ao Estado dá-lo por empréstimo a um amigo, de seguida mover-lhe um processo, o Estado obrigar à devolução e o dinheiro ficar, assim, limpo. Quem emprestou? De onde lhe saiu o dinheiro? Que actividade económica e social exerce? É muito dinheiro. A PGR não pode agora remeter-se ao silêncio. Não depois de ter incendiado as pradaria com a multiplicidade de comunicados a que já nos habituou, ou se torna legítimo pensar-se que os comunicados são apenas para determinado tipo de alvos e com fins que não nos diz.

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