Carta do leitor: O negócio do brilho

POR: Edmislson Gonçalves

Caro director do jornal OPAÍS, estamos a chegar ao fi m da Estação das Chuvas. Muitos prejuízos foram causados pelas águas, mas, como sempre, isto não leva político algum a perder o cargo, nem a colocá- lo à disposição do chefe mesmo quando vê que não consegue fazer mais nada por impedimentos vários. Aliás, em Angola o que vale é cada um atirar a culpa para os outros. Somos todos brilhantes, só que não nos deixam trabalhar. Falando de brilho, agora vai entrar em cena o Cacimbo, que para uns é uma época alta de negócio. Milhares de jovens que não pagam impostos vão passar a ter mais trabalho nas estações de serviço, algumas improvisadas em qualquer esquina, outras mais ou menos formais. Cidades como Luanda e Benguela, para não falar das do Cuanza-Sul, geram muitos empregos sazonais com o Cacimbo, porque quem tem carro e gosta de o ver a brilhar já sabe que tem de o lavar pelo menos duas vezes por semana. É muita poeira que se levanta nas nossas cidades. Ainda vamos descobrir que o corte das árvores das cidades angolanas tinha mesmo este propósito: dar mais brilho ao bolso. Mas sem que ninguém se preocupe com o tratamento que é dado às águas “residuais” deste negócio.

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