Engenheiro defende “desmetropolização” natural

Numa altura em que se assiste a um esforço do Governo para descentralizar a cidade de Luanda, de acordo com o académico, com resultados “tímidos”, a medida viável seria a criação de infra-estruturas e serviços nas zonas periurbanas e rurais

Angelino Quissonde, engenheiro civil, é de opinião de que a desmetropolização de Luanda aconteça de forma natural, sem políticas administrativas ou decretos, de modo que as pessoas se sintam atraídas e sintam, igualmente, amor pelo seu bairro ou município. “Mas isso só vai acontecer a partir do momento em que esses bairros, municípios ou essas comunas tiverem o mínimo de condições para o desenvolvimento socio-económico e cultural na sua localidade, o que quer dizer que os habitantes locais devem ter condições para estudar, para ter assistência médica e medicamentosa”, disse Angelino Quissonde, considerando, para tal, a necessidade de um apoio para empreender, sobretudo na agropecuária e na construção de estradas terciárias, a fi m de facilitarem o escoamento dos produtos.

Recordando que a desmetropolização consiste, geralmente, no crescimento superior das pequenas e médias cidades em relação às metrópoles, o entrevistado salientou que tem de haver técnicas de baixo custo, aplicando-se a engenharia empreendedora, para a conservação e refrigeração dos produtos do campo escoados. É ainda apologista de que, para começar, não se precisa de ter altas tecnologias que exigem grandes cargas de equipamento e demanda de energia eléctrica.

“Precisa-se de habitações condignas, mesmo as construídas de adobes, solo-cimento ou queimado e outras formas de adobes muito mais evoluídas, que até ajudarão a proporcionar um ar mais fresco às residências contruídas”, observouPara sustentar o que acabava de afi rmar, referiu-se ao projecto da Aldeia Camela Amões, no município de Cachiungo, província do Huambo e outros em curso no nosso país, cujo intuito é gerar rendimento para as famílias e produção nacional, tendo à testa a agricultura, de modo a ajudar a reter o técnico na sua aldeia, comuna, município ou província.

Essas iniciativas também dão oportunidade de obtenção de residência condigna, com energia, no caso a do tipo solar, água, arruamento e equipamentos urbanos, como escolas, hospitais e centros de lazer. Segundo o interlocutor de OPAÍS deve-se ter atenção ao plano de formação do homem, olhando-se primeiro para a instrução académica e depois para o lado da visão fi nanceira com carácter empreendedor, de modo que as pessoas não olhem só para o Estado e para a profi ssão de professor como a única alternativa.

“Actualmente, nota-se uma grande apetência pelos cursos de pedagogia, sobretudo para os que vivem fora da capital do país, porque acham que o emprego para o professorado é um dado certo, desde que sejam admitidos por via de concurso público”, declarou Angelino Quissonde, que encara a necessidade de se trabalhar na agro-pastorícia e no agro negócio ao ponto de se pensar na nuance de tratamento dos sub-produtos da agricultura e na reciclagem, já que quase todos produzem resíduos que podiam muito bem ser aproveitados.

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