Parque residencial de Lauca ainda sem destino

Infra-estruturas diversas construídas para acolher as 9 mil pessoas, que ajudaram a erguer o gigante Aproveitamento Hidroeléctrico de Lauca (AH-Lauca) podem ser aproveitadas para outra fi nalidade no futuro

Tanto da parte do sector de energia, que é o dono do projecto, como das autoridades político-administrativas da província de Malanje, tem estado a ser cogitado esta possibilidade, apesar de não existir, por enquanto, um projecto em concreto. Estévão Elias, director do AH-Lauca, que revelou estas intenções à imprensa à margem do 10.º Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, não entrou em mais detalhes por não existir, por enquanto, “alguma coisa em concreto”, mas acredita que tamanha infra-estrutura não seja votada ao abandono.

Para acolher 9 mil trabalhadores em Lauca, foram construídos dormitórios, refeitórios, campos de jogos, lavandarias, zonas de lazer como salas de jogo e cinema e outras, numa gigantesca vila com direito a arruamentos asfaltados e respectiva sinalização. No pico da concentração da mão-deobra, totalizando nove mil pessoas, o refeitório de Lauca chegou a produzir alimentação em quantidades industriais e era operacionalizado por um sistema logístico que permitia alimentar milhares de pessoas em hora e meia.

Para reduzir ao máximo os danos à natureza, Lauca instituiu um programa de reciclagem que consistia em reutilizar quase tudo e tratar convenientemente tudo aquilo que no fi nal da cadeia não fosse mais reutilizável. Neste processo não escaparam os restos de comida que foram usados para a compostagem e as águas residuais que eram tratadas e reutilizadas. Vários participantes no evento, que não quiseram conceder entrevistas, sugeriram o surgimento de uma nova circunscrição administrativa em Lauca que podia começar pela categoria de comuna, erigida na base da cultura habitacional implementada em Lauca: “zero resíduos, poupança de água e electricidade, trânsito regrado com limite de velocidade, dentre outras valências salutares”.

Apesar do aproveitamento energético ser um objectivo estratégico, defendem que não deve ser exposta à vulnerabilidade e para a sua operação e manutenção, ao longo das dezenas de anos de vida a que está destinado, resulte no surgimento de um novo aglomerado de cidadãos.

O exemplo mais flagrante na região é o do Aproveitamento Hidrolectrico de Cambambe (AH-Cambambe), no município de Cambambe, que deu origem a uma zona habitacional onde se sucedem as gerações de homens e mulheres e que hoje é uma referência a nível da província do Cuanza-Norte. Fruto do crescimento humano e infra-estrutural, Cambambe (vila) é uma atracção para os cuanza-nortenhos que no local buscam contemplar a grandiosidade da barragem, mas num passado recente também possuía um club recreativo, dotado de uma piscina e um restaurante.

Foi ainda exemplo do ponto de vista desportivo. Chegou a ter uma equipa de futebol e outra de andebol que deixaram marcas na memória colectiva da província. Segundo o cronograma, as obras de construção do AH-Lauca terminam em Dezembro deste ano, altura em que será entregue completamente ao dono da obra, o Ministério da Energia e Águas. Actualmente, ainda trabalham em Lauca 2 mil e 300 pessoas, o que corresponde a cerca de um quarto do que já chegou a ter no pico da obra.

Segundo o director do aproveitamento, Estevão Elias, os prazos estabelecidos mantêmse e a obra será terminada. O sexto grupo gerador do complexo entra em funcionamento entre Junho e Julho e fi nalmente a central ecológica começa a gerar electricidade em Outubro próximo. Lauca, com as suas cinco unidades geradoras operacionais, em 2019 produziu 1670 MW e já garante energia a 10 províncias do país, constituindo-se, com Cambambe e Capanda, no “coração” da pretendida energização do país.

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