Carta do leitor: A ocasião faz…

Com o Coronavírus na ordem do dia, baixando para valores mínimos o preço do petróleo, como só se via na década de 90, há no seio da população uma enorme expectativa sobre o que irá acontecer a este país que teimosamente não quis aderir ao processo de diversifi cação da economia. Embora não se tenha ainda defi nido a possibilidade de revisão do Orçamento Geral do Estado, há sectores que assim já defendem, mesmo sabendo estes que a situação é mundial, não existindo exportações de petróleo em quantidade para vários mercados por causa dos riscos de infecção e da paralisação de alguns dos principais compradores.
Vamos orar para que a propagação diminua.

Com a redução de receitas, acredita-se que as nossas reservas líquidas, que já só suportavam uns poucos meses de abastecimento para o país, possam também sofrer um abalo, a não ser que se tenha feito um grande encaixe para colmatar o défice.
Mesmo que haja uma recuperação, é imperioso que o Executivo actual afaste, de algum modo, a mentalidade petrolífera que ainda persiste em muitos sectores, num país com enormes potencialidades, desde a pesca, agricultura, minérios, turismo e outros bens.
Diz-se que as crises são oportunidades para crescimento. Pena que esta seja dolorosa, porque acontece num momento em que o país ainda tentava ultrapassar outros solavancos. Mas está aí, uma vez mais, para nos dizer que é importante mudar de direcção. É imperioso um movimento inverso, isto é, da cidade para o campo, aliás, onde muitos países pelo mundo fora têm encontrado receitas para fortalecerem as suas economias e Angola tem contribuído, importando o que há muito poderia comprar aqui.

João Messene Luanda

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