Carta do leitor: o negócio do álcool gel

POR: Manuel Salitas
Belas/ Luanda

Há males que vêm para bem. É o que se costuma dizer, escrever ou mostrar quando a desgraça de alguns acaba por beneficiar terceiros em qualquer ponto deste planeta. A palavra dos últimos dias – e provavelmente virá a ser a do ano em curso- é Coronavírus. Por causa dela novos negócios surgiram, alguns caíram. Alguns ficaram mais pobres e outros mais ricos, tudo porque os meios para a protecção, como luvas, máscaras e álcool gel entraram no léxico de muitas pessoas, não só em Angola como no mundo interio. Um produto que poucos angolanos enxergavam quando se dirigissem aos supermercados, os pequenos frascos de álcool gel e as máscaras começam a se tornar nos produtos mais difíceis de se encontrar nas farmácias do país, sobretudo nos grandes aglomerados populacionais. As empresas que fabricam estes produtos, algumas angolanas e outras feitas com capitais estrangeiros, já começaram a especular, com aumentos superiores aos permitidos por lei. Por exemplo, quem se desloca à loja da Suave em Talatona, próximo às bombas de combustível do Mirantes, conseguia comprar um recipiente de álcool gel por ‘módicos’ 5000 Kwanzas, mas nos últimos dias o preço já disparou para cerca de 8 mil Kwanzas. Certamente que noutras localidades, se calhar, existirão valores mais absurdos, uma vez que mesmo nos principais estabelecimentos comerciais já é difícil encontrar pequenos recipientes com o produto, assim como luvas. É imperioso que as autoridades económicas comecem a observar este fenómeno, até porque aqui no vizinho Congo Democrático já tivemos um caso positivo de coronavírus, assim como em países como Moçambique e a própria África do Sul. Numa altura em que se vai precisar mais de empresários que estejam disponíveis para ajudar o povo, não se pode permitir que os aproveitadores marquem espaço e vençam aos olhos de todos.

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