Porto Amboim, Hoje!

POR: Rui Lopes Macau

Tivemos o prazer de ouvir este domingo a Sra. Ministra das Finanças a falar sobre o seu pelouro. Gostamos da forma profissional, arejada, moderna e desimpedida com que ela trata os assuntos de que fala. Tomamos boa nota do seu pensamento relativo ao investimento privado e estrangeiro. Muito interessante. É de facto uma abordagem nova.Se de facto o investimento estrangeiro é crucial para o desenvolvimento do País, então tudo temos de fazer para o atrair, abrindo-lhe as portas e criando condições para que ele se instale neste imenso Pais. Certamente que os grandes projectos deste Pais não se fixarão em Luanda e quem traz dinheiro quer “ver para querer”. Nada melhor que organizar uma “montra” daquilo que este Pais tem para oferecer, sempre que potenciais investidores nos visitem. Afinal aqui no Quanza-Sul devíamos ter mais para mostrar do que apenas a grande “Agrolider”. Há muitos anos que venho sugerindo que Porto Amboim, uma linda cidade, com enorme potencial, deveria ser objecto de uma intervenção piloto a diferentes níveis, mas particularmente ao nível da sua administração territorial. Porto Amboim está a 3 horas de Luanda, possui belas praias, recursos piscatórios, potencial agrícola e pecuários. Ainda por cima, Porto Amboim recebeu nos últimos anos antes da crise importantes investimentos privados do sector de Petróleos que infelizmente não estão a funcionar hoje. A população de Porto Amboim já conheceu os efeitos – embora efémeros – do desenvolvimento. Porto Amboim face à sua localização entre Luanda e Benguela e não muito distante de outras cidades do Quanza Sul, devia ser vista como um local de destino para o Turismo interno. Há muitos anos a vontade de fazer desta cidade a “Costa da Caparica” de Luanda levou-nos a promover uma geminação com Almada/ Portugal de onde surgiram ideias interessantes para esta cidade. Recordo-me por exemplo que se propunha na altura uma requalificação da Marginal de Porto Amboim e o talhonamento de uma área nobre essencialmente destinada a segunda habitação. Apesar de nada disto ter acontecido, esta cidade tem ainda tudo para ser essa “montra” que o nosso Governo podia usar para motivar potenciais interessados. Não creio que seja muito difícil elaborar para este município um projecto piloto baseado numa “Estratégia de Desenvolvimento e Crescimento” que nos traga uma visão, objectivos, metas e resultados a atingir, estrutura de ordenamento e desenvolvimento territorial e mecanismos de monitorização e facilitação institucional, de forma a atingir o crescimento económico de uma forma abrangente, que sustente os objectivos que podem ser realisticamente atingidos a nível social, económico e ambiental. Tal “Estratégia de Desenvolvimento e Crescimento” pode ser executada por uma equipa ad-hoc de duração limitada funcionando através de um processo consultivo abrangente que inclua todos os níveis de governação. Este processo deve promover a abordagem ao nível das forças do município, combinando competências, recursos e ideias para estimular a economia municipal. Claro que esses passos devem ser dados em duas dimensões paralelas. Por um lado, visando a preparação de propostas de resposta rápida a certos desafios de curto e médio prazo com os quais o município se confronta, nomeadamente água, saneamento, agricultura e turismo, e por outro perspectivando um “Plano de Desenvolvimento Municipal” integrado e coerente e com uma visão de longo prazo. Após quase 20 anos apaixonado por esta cidade, seria um sonho ver surgir um Novo Porto Amboim que funcione como uma amostra do que Angola pode vir a ser. Mas, o que é Porto Amboim hoje? Infelizmente Porto Amboim está a viver momentos muito difíceis, resultantes de um tecido económico em rotura e enfrentando um processo de desertificação humano. Ninguém quer viver nas condições que esta cidade oferece. Nada melhor para descrever a situação do que a mensagem que recebi de alguém que recusou o meu convite para me visitar: “Estás rodeado de lixo, numa zona malcheirosa e cheia de moscas. Para lá chegar, tenho que ter a coragem de não estragar o meu carro nas centenas de buracos existentes em todo o casco urbano da cidade”. Tive de lhe confessar que, para além disso, não tenho água da rede e a cidade não tem iluminação publica a funcionar. Ainda tive que lhe dizer que é assim desde 2014, quando vim viver para Porto Amboim. O que podemos fazer?Da minha parte, irei continuar a falar desta minha experiência em Porto Amboim. Apesar de tudo gosto de viver aqui. Vou voltar ao assunto.

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