Manuel Rui Monteiro apresenta romance “Kalunga” em Lisboa

Nesta obra, lançada em Luanda em 2018, Manuel Rui Monteiro resgata a humanidade dos seres humanos, para além das suas condições nas relações estruturais

O escritor angolano Manuel Rui Monteiro apresentou na Terça-feira, em Lisboa (Portugal), o romance “Kalunga”, lançado em Luanda em 2018. Nesta obra, Manuel Rui resgata a humanidade dos seres humanos, para além das suas condições nas relações estruturais, no caso concreto a contradição entre colonizadores e colonizados. Luís Gaivão, que fez a apresentação da obra, referiu que “Kalunga” insere-se no percurso bibliográfico de Manuel Rui. “Trata-se de uma obra com maior
relevância pós colonial, que melhor assume um definitivo carácter descolonial”, referiu. De acordo com o apresentador da obra, Manuel Rui pinta de cores bem vivas o quadro e património cultural africano que os ancestrais construíram, então atacado pela cobiça dos traficantes em busca de ouro, prata e escravos.

Por sua vez, o adido cultural da Embaixada de Angola em Portugal, Luandino Carvalho, que enalteceu a obra pela forma com que o escritor relata o romance, desafiou os cineastas angolanos e brasileiros a retratarem a envolvente temática histórica em filme.
Sobre o autor Manuel Rui Alves Monteiro nasceu no Huambo, planalto central, em 1941. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, Portugal, onde desenvolveu advocacia e foi membro fundador do Centro de Estudos Jurídicos. Figura incontornável das artes angolanas, ao longo da sua vida de escrita, Manuel Rui manteve sempre uma estreita colaboração com diversos jornais e revistas de renome.

A sua vertente literária inclui uma vasta obra de textos de poesia e de ficção publicados desde 1967 até à presente data. É o autor do primeiro livro de poesia e do primeiro livro de ficção publicado em Angola após a Independência. Galardoado com inúmeros prémios, recebeu o Prémio Caminho das Estrelas 1980, pela emblemática obra “Quem Me Dera Ser Onda”, já adaptada para televisão e teatro em Moçambique, Portugal e Angola. Em 2003, renunciou ao Prémio Nacional de Cultura na área da Literatura pelo conjunto da sua obra.

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