Autoridades impedem linchamento de casal acusado de feiticismo

As autoridades tradicionais do município da Caála, província do Huambo, frustraram, quarta-feira, uma tentativa de linchamento público de um casal acusado pela população local de práticas de feitiçaria

Trata-se, segundo apurou a ANGOP, de um casal de 50 anos de idade (esposo) e 43 anos (esposa), acusado de desenterrar cadáveres para aproveitar as suas vestes para fins tradicionais. Testemunhas ouvidas no local referiram que este facto terá gerado a revolta dos residentes do bairro Missão do Cassoco, que começou a desconfiar dos mesmos após a morte “misteriosa” de 10 cidadãos da localidade. Já o soba do bairro Catelenga, Manuel Rafael, em declarações à imprensa, disse que, após a morte considerada como estranha destes 10 indivíduos, o casal desenterrou os cadáveres e retirou as respectivas roupas.

De seguida, acrescenta, voltou a enterra-las no seu quintal, juntamente com motorizadas, camas, cabeças de gado bovino, cadeiras, loiças e bens alimentares. De igual modo, foram enterrados bebidas alcoólicas e outros elementos para, segundo o soba, satisfazer as necessidades dos dez cadáveres. Depois de descobertos, de acordo com Manuel Rafael, a população dirigiu-se à residência do referido casal, acompanhada de vários objectos de arremesso, para ajustar contas com os mesmos, mas foi impedida pelas autoridades tradicionais.

Neste momento, acrescenta, o casal encontra-se em julgamento tradicional, pela corte do Reino do Chingolo. Nos últimos dias, os crimes de homicídio, resultantes de justiça por mãos próprias, têm-se intensificado na província do Huambo, sendo que o mais recente aconteceu nas imediações do perímetro florestal do Sacaála, onde seis cidadãos foram amarrados e atirados ao rio, depois de apanhados a roubar milho numa lavra.

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