Lar Kuzola acolhe crianças de outros países

A gestora lembrou que dirige uma instituição adstrita ao governo da Província de luanda que, por lógica, só devia acolher crianças desse círculo provincial

A directora do Lar de Infância Kuzola, Engrácia do Céu, considera a sua instituição como internacional, pelo facto de se ver obrigada a acolher também crianças provenientes de outros países. “Esse é um lar que eu considero internacional. Por causa das consequências do tráfico de crianças, temos miúdos da República Democrática do Congo (RDC) e do Congo Brazzaville. Elas são encontradas nas ruas, vêm parar aqui e ficam temporariamente, até que se localizem famílias”, contou. Embora não tenha avançado números, a directora recomenda a olhar-se para esse pormenor com bastante preocupação e atenção. Lembrou que dirige uma instituição adstrita ao Governo da Província de Luanda que, por lógica, só devia acolher crianças desse círculo provincial.

Mas, como conhece a realidade do país, o seu centro de acolhimento acolhe os miúdos abandonados nas ruas, um fenómeno que também classifica como consequência da desestruturação familiar. Assegurou que a sua direcção continua a respeitar o mesmo objecto social para o qual foi formado, pois nessa altura, com o país em guerra, havia muitos órfãos. “Hoje, mudou o quadro, mas com a desestruturação das famílias, quase todos nós temos problemas sociais que se reflectem na vida da criança. Então, por ser o elo mais fragilizado, precisa de apoio, razão pela qual se mantém o objecto social de atender crianças em situações de vulnerabilidade”, reforçou a responsável.

Outra situação que preocupa a líder do conhecido lar Kuzola tem a ver com o casos de crianças provenientes de outras províncias, como fez questão de referir os círculos provinciais das Lundas e do Cunene, só para precisar de quão longe saiam os petizes
Mais de 14 anos, ainda no centro Lembrando que a sua instituição está vocacionada para acolher e servir crianças da faixa etária entre zero e 14 anos, Engrácia do Céu revelou que o estabelecimento que dirige também se vê obrigado a manter alguns adolescentes que já ultrapassam a idade estabelecida. Tal situação se deve ao facto de tocar à sensibilidade da directora supostos desvios comportamentais e de orientação múltipla recebidos “em sua casa”.

Por essa razão, ela prefere mantê-los aí, na esperança de se abrirem outros centros que possam albergar e formar esses infanto-juvenis. Sobre isso, a directora diz haver um centro em evolução, nas imediações da Via Expresso BenficaViana, vulgarmente conhecida com a designação de Avenida Fidel Castro, o qual prevê absorver esta franja vulnerável. Trata-se de uma iniciativa da exPrimeira-dama, Ana Paula dos Santos. “O Governo, lógico, está a fazer esforços para equilibrar isso de os adolescentes, até 14 anos, terem a uma outra instituição, no sentido de potencializar os mesmos para os reinserir na sociedade, principalmente com valências ou formação técnico-profissional.

Superlotação obriga dobrar esforços

Engrácia do Céu não deixou de falar da superlotação, um problema antigo que obriga a ela e a sua equipa a redobrarem esforços para darem o mínimo aos seus fi lhos. “A nossa capacidade é para 250 crianças, mas estamos com 415, também temos alguns internos, num grupo de 46 com necessidades especiais do fórum psiquiátrico”, informou a líder do centro, tendo acrescentado que estas últimas crianças não são doentes para ficarem na pediatria, por não terem famílias, então têm de ter o atendimento social. Referiu que estão num espaço, aí, não relativamente integrado aos demais, tendo adiantado que, infelizmente, não se tratava das condições apropriadas onde deviam estar.

Desnutrição

As causas aqui não se resumem só em abandono, há crianças que se perdem. Elas fi cam no bairro sozinhas, saem para brincar e já perdem a referência da residência, esse grupo também vem parar aqui.
“Então temos crianças abandonadas e crianças perdidas que depois voltam para a família, porque temos um projecto de localização e administração familiar, com a ajuda da Televisão Pública de Angola (TPA), que todas as Quartas e Quintas-feira passa sobre crianças perdidas que se encontram no lar Kuzola.

Para que isso aconteça e tenha o impacto que desejamos, fazemos a fotografi a da criança perdida e mandamos, a fi m de facilitar a identifi cação por parte dos familiares”. “A instituição de que falei, localizada na Via Expresso, é uma iniciativa da ex-Primeira-dama, Ana Paula dos Santos, adstrita ao governo provincial de Luanda. Até este momento, ainda não se encontrou um parceiro para poder suportar.

Porque nós estamos como uma instituição pública, estamos no Orçamento Geral do Estado, mas nós por mês recebemos uma cota de 800 mil Kwanzas, vamos à Suave, para fazer o grosso das compras, como fraldas para o número elevado de bebés que chega a mais de 60 que temos aqui e não chega”. É por isso que ela diz que se eles não encontrarem parceiros, e espera que o Governo futuramente se reencontre, por ser o actor principal, sendo que os outros devem complementar, desabafou, tendo acrescentado que, a ctualmente, este papel está invertido. Ainda assim, ela espera que haja dias melhores, porque tem recebido a visita do governador de Luanda.

Apoio tímido

Relativamente aos apoios, O PAÍS soube que o lar tem parceria com o hospital pediátrico que lhes coloca, de Segunda a Sexta-feira, duas pediatras e uma equipa composta por cinco enfermeiras que trabalham 24 horas por turno. O equipamento é da tutela do Governo da Província de Luanda, que foi anunciado como da casa, porque, em termos de gestão, e vai procurando parceiros para ajudar. Em face disso, o Lar de Infância Kuzola ganhou parceiros fundamentais que complementam essas acções, já que possuem outros intermédios. “Estou a falar da Total EPAngola que é o patrocinador principal.

Depois temos o outro parceiro também fundamental que é a Fundação Lwini, que assumiu este compromisso desde 2011”, disse a directora, assegurando que as três refeições diárias estão asseguradas. Por fi m, lembrou que, por ser uma instituição pública, o lar é agraciado por um orçamento que na sua óptica não cobre as necessidades diárias dos pequenos, mesmo se fosse apenas com internos.

Programa socio-educativo
engrácia do Céu informou também que, no seu lar, as crianças são acolhidas e distribuídas por áreas, por causa do programa socio-educativo que conceberam. “a criança chega e é avaliada. Se ela for de idade escolar, no dia seguinte já está na sala de aulas, em função das competências”, gabouse, acrescentando, porém, que existem, no centro, salas de préescolar que velam pelo programas de desenvolvimento que elas têm em função da estimulação. Para que esse sistema funcione, há uma equipa multidisciplinar da direcção composta por três responsáveis e dois departamentos. Para complementar, existe a equipa de técnicos, como a de psicólogos e de educadores sociais, bem como do pessoal cuidador, mais as lavadeiras e cozinheiras..

 

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