O Amor nos tempos do vírus

POR: José Manuel Diogo

O medo é o maior inimigo do amor. Maior que a traição e o desinteresse. Maior que o tempo e que a morte. A forma como o medo do vírus covid-19 está se alastrando pelo mundo, não vai apenas roubar a nossa saúde e matar vidas como qualquer nova doença que de vez em quando aparece. Se nos deixarmos tomar pelo pânico, este novo medo nos vai roubar também a alegria de viver e a nossa capacidade de amar. Essa é a verdadeira pandemia. Não beije, não abrace, não cumprimente, não se encontre. Não saia de casa. Não viaje.

Não respire. Não viva! Se habitue! Na Europa o medo já se instalou por toda a parte e, ao contrário da China, onde o Governo tem capacidade de decisão rápida e musculada, os países europeus não estão conseguindo travar a contaminação. Itália fechou. E outros países em breve seguirão esse caminho. Mas o sentido da pandemia — de oriente para ocidente — transporta uma oportunidade de conhecimento para Angola e os restantes países de África. Podemos escolher o amor em vez do medo. Na semana passada escrevi sobre o vírus e essa semana escrevo de novo. Agora não sobre a estatística, que continua a ser a mesma, mas sobre hermenêutica e holística. Porque o todo é sempre maior que a soma das partes (holística) e nenhuma notícia solitária tem o poder de nos fazer mudar de atitude (hermenêutica) é preciso compreender o “todo” antes das “partes” e o poder reduzido de cada “parte” em separado. E esse é o mesmo exercício do amor.

O filósofo grego Sócrates disse que a única coisa pior que a ignorância é a ilusão do conhecimento. Há muitas doenças que matam. Muito mais do que esta mata. Mas hoje nenhuma é tão perigosa como o Covid-19 porque ela não mata apenas a vida, ela tem o poder de matar a alegria e o amor porque vem associada ao medo. Ser ou não ser é de novo a questão. Ter ou não ter medo. Viver ou não viver. O medo se exponencia no pânico quando viaja associado a este temor coletivo e múltiplo que sempre se baseia na crença mais frágil so ser humano: o medo de morrer. Esse medo que bate à nossa porta, em cada nova notícia, é o preço a pagar pelo acesso global conhecimento nesta sociedade híper-conectada onde hoje todos vivemos. É por isso que a estatística não chega para nos proteger. Nem a ciência positiva, nem luvas, nem máscaras, nem o isolamento. Porque o que a pandemia do vírus Covid-19 traz à espécie humana — não é uma praga dos tempos modernos, nem um novo desafio científico – é fundamentalmente uma oportunidade de redenção, onde, como nunca até hoje, vamos precisar do Amor.

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