Pastores e o Covid-19

Quando as notícias sobre a epidemia (agora pandemia) do coronavírus começaram a surgir e a preocupar, ouvi sugestões bem-humoradas para que exportássemos certos pastores que curam tudo para a China, talvez lá tivessem alguma serventia e provassem os seus milagres de encomenda. Estranhamente, agora percebo que estrategicamente, porque de surtos virais este não é o primeiro, os ditos pastores de sotaque brasileiro mantiveram-se calados por meses sobre este assunto, o Covid-19.

Xi Jinping, o Presidente chinês, visitou há dias Wuhan e quase que pré-anunciou o estancamento das infecções. Está quase controlado o surto na cidade em que nasceu. Foi o sufi ciente para surgirem áudios de pastores a apelar para que ninguém tenha medo, que os media estão a empolar tudo, que há negócios a prosperar com a especulação dos meios de comunicação social, que isto é trabalho de satanás, etc… Os pastores precisam de manter cheias as igrejas, ou seja, as máquinas registadoras em funcionamento, por isso vem outra vez a história da fé necessária, muita fé mesmo, para se ser rico como o Pai.

Acontece que na Coreia do Sul um dos focos disseminadores do vírus foi justamente uma igreja. Ou será que os coreanos, por não falarem com sotaque brasileiro têm menos fé? Sorte a destes pastores que o Estado angolano ainda não conseguiu ter o “E” grande para lhes pôr na linha. O que as pessoas devem fazer é seguir as instruções do Ministério da Saúde e dos médicos. Nada mais. Esta é a fé necessária neste momento, não é preciso pagar por ela.

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