A “bomba” que eu escolhi

Apesar dos estrondos de todas as outras “bombas” no seu discurso de ontem, como ter dito que uns iriam morrer de congestão se não houvesse a luta contra a corrupção que os está a salvar, que existe uma resistência organizada dos que se sentiam no direito divino de continuar a usufruir (sozinhos) dos bens do pais, que a Oposição não respeita o princípio da separação de poderes na questão relacionada com a eleição do novo presidente da CNE, ou ainda que não adianta ouvir mais ninguém que não sejam as autoridades de saúde no caso do novo Coronavírus, o que me chamou a atenção no discurso de João Lourenço, presidente do MPLA, partido no poder, foi mesmo a questão da revisão das contas económicas. Ou seja, a revisão do OGE. Eu entendo assim. E não me chamou a atenção por a ministra das Finanças, há dias, ter afastado esta hipótese, isto é quase inevitável ante o arrefecimento da economia mundial. Do que nos vale produzir petróleo e ficar com ele nas mãos, por exemplo? Temos de refazer contas, todos, porque o Estado vai precisar de acelerar a “dessubsidiação” de alguns produtos, vai precisar de apertar nos impostos e, ou, recorrer a mais dívida e, se calhar, a apoio assistencial internacional. Se o país não tem dinheiro, está com os cofres vazios; se além do petróleo nada mais tem para vender; se o consumo interno está miserável; se a moeda desvaloriza e as agências internacionais são unânimes a dizer que este ano será de recessão, então é sobre isso que se tem de falar, sem tabus. Há que buscar soluções.

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