Dirigente da FNLA lamenta modo de vida dos angolanos no pós-independência

o dia 15 de Março de 1961 marca o início da Luta Armada levada a cabo pela Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Cinquenta e nove anos depois, este partido diz não se sentir recompensado pela a causa por que lutou

o antigo combatente da FNLA e um dos membros do processo 15 de Março Lino Ucaca afirmou, ontem, em declarações a OPAÍS que a FNLA ainda não se sente recompensada pela luta de libertação de Angola, porque a missão que estava para cumprir a favor do povo angolano não está devidamente concretizada.

O nacionalista alegou que a FNLA se sentiria recompensada se o povo angolano estivesse devidamente livre e a viver de forma condigna no seu próprio país. Considerou dramática a situação em que se encontra o povo angolano, quarenta e cinco anos depois da Independência. “A FNLA lamenta o modo de vida dos angolanos e não pode se sentir recompensada com a causa pela qual lutou”, disse.

Em torno de todo o processo, sublinhou que a libertação de Angola do domínio colonial português foi a realização mais marcante, visto que o povo angolano tornou-se o responsável pelo seu próprio destino.
situação deplorável dos antigos combatentes Relativamente à situação dos antigos combatentes da FNLA, Lino Ucaca considera lastimável, e alegou que o Governo não consegue reconhecer o sacrifício consentido por essa franja da sociedade que lutou para libertar o país do jugo colonial. Lamentou o facto de o Executivo não auscultar até ao momento os antigos combatentes, aqueles que considera como os verdadeiros heróis.

“O actual Presidente da República caminha no seu terceiro ano desde que assumiu o poder, mas nunca reuniu com os antigos combatentes para ouvir as suas preocupações”, salientou. Acrescentou que João Lourenço já recebeu toda a classe da sociedade angolana, mas até agora ainda não ouviu as preocupações dos antigos combatentes. Refira-se que desta tradicional força política, pioneira na luta de libertação nacional contra o colonialismo português, os seus combatentes, maioritariamente, já velhos, reclamam por reconhecimento junto do Governo, mas alegam serem relegados para planos secundários.

Uma boa parte destes, devido à situação de indigência em que vivem, decorrente da falta de pensões dos antigos combatentes, têm vivido em situações de extrema miséria. A situação agudizou-se ainda mais com a divisão interna entre os membros de direcção, havendo actualmente três alas, sendo uma liderada por Lucas Ngonda, outra por Ngola Kabangu, e a mais recente por Fernando Pedro Gomes.

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