Mais de 100 alunos em turmas por falta de professores no Luau

Numa altura em que as políticas educativas de Angola apontam para a melhoria da qualidade de ensino, docentes dessas paragens envidam esforços para dar aulas a mais de 200 crianças por dia

O chefe do ensino geral do município do Luau, província do Moxico, Zanguilo Cakesse, admitiu que está a ver o seu trabalho um pouco comprometido, conforme fez questão de considerar, devido às queixas de alguns professores que trabalham a dobrar. Trata-se de docentes de escolas primárias que leccionam em dois períodos devido ao deficit que as suas escolas registam no que toca ao preenchimento do quadro da força de trabalho dos estabelecimentos escolares onde estão destacados por parte das autoridades do sector.

“Isso de professores que se desdobram a leccionar de manhã e de tarde acontece mais nos sectores Marco 25 e no Mukussenje, onde o responsável diz existir, respectivamente, uma escola do ensino primário de 14 salas de aulas”, referiu o chefe do ensino geral do Luau, que classificou o sacrifício diário dos professores como um voluntarismo necessário. O desdobramento dos três professores que administram sessões de aulas nas referidas escolas passa por atenderem as crianças que estudam entre a 1ª e a 3ª classe, no período da manhã, sendo que de tarde cobrem da 4ª à 6ª.

Antigamente, segundo contou o dirigente do município mais a Leste de Angola, as comunidades envidavam um esforço de minimizar a carência dos instrutores contribuindo com produtos agrícolas e outros serviços, normalmente mandatados pelos líderes tradicionais. “Hoje, as populações já não fazem esse esforço, porque só alegam que os tempos mudaram”, desabafou o entrevistado. Por causa dessa situação, Zanguilo Cakesse diz ter perdido a conta das vezes em que os referidos funcionários o abordaram para reclamar por um tratamento diferenciado no que à remuneração diz respeito, uma situação que ele se limita a remeter aos órgãos competentes da sede provincial.

Segundo apurou OPAÍS do seu interlocutor, ele já recebeu promessas dos seus superiores, ao nível provincial, de se reverter o quadro, mas, até à data desta entrevista tem-se limitado anunciar aos visados a mesma informação. Embora consigam encontrar mais alternativas na sede do município, a localidade não está à margem desse problema, já que ainda regista um número considerável de crianças fora do sistema de ensino.

36 Para minimizar o lectivo 2020

De acordo com Zanguilo Cakesse, para se minimizar a situação das escolas de que se referiu, a direcção municipal do Luau está à espera de 36 professores do último concurso público realizado pelo Ministério da Educação (MED).

“Mas a nossa região precisa mesmo de mais de 300 professores para cobrir as necessidades que se registam em todo o município e, claro, a construção de mais escolas, principalmente primárias e secundárias do primeiro ciclo”. Recordou que a sua circunscrição possui apenas 25 estabelecimentos escolares, sendo 22 do ensino primário, duas do I Ciclo e uma do II Ciclo. Atento ao crescimento demográfico no corredor do Moxico que o Luau integra, segundo ele motivado pelo circuito comercial facilitado pelo Caminho de Ferro de Benguela (CFB), Zanguilo Cakesse acha urgente o aumento da rede escolar, a fim de evitar-se outros problemas sociais.

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