Militantes da FNLA preparam segunda vigília para exigir demissão de Ngonda

Desiludidos com o adiamento consecutivo de três reuniões do Comité Central (CC), sendo a última no dia 7 de Março, por alegada falta de quórum, eles querem a demissão incondicional do seu presidente, Lucas Ngonda

Uma fonte familiarizada com o assunto informou a OPAÍS que a vigília será a continuidade de uma outra realizada no ano passado, organizada por antigos combatentes. Desta vez, segundo a fonte, a contestação está a ser preparada a partir da província do Huambo, onde um grupo também de antigos combatentes reuniuse restritamente para traçar estratégias sobre este propósito.

De acordo com a mesma fonte, um velho “maquisard”, que também esteve neste encontro, realizado na Quarta-feira, 11, a nova vigília está prevista para esta semana, mas sem, entretanto, avançar a data. Informou que será realizada na sede nacional do partido, no bairro Neves Bendinha, havendo outras frentes nas empresas de que o líder do partido, Lucas Ngonda, é proprietário, entre as quais uma hospedaria no Bairro Grafanil (Viana), armazéns de bens industriais no Bairro Benfica, município de Belas, e um instituto médio de enfermagem no bairro Sapu, segundo a fonte.

Justificou a eventual ocupação destes empreendimentos atribuídos a Lucas Ngonda, por terem sido obtidos alegadamente com os fundos do Orçamento Geral de Estado (OGE) a que o partido tem direito em função da sua representação na Assembleia Nacional. Informou que numa primeira fase a vigília será pacífica, e se não encontrar a receptividade desejada pode ser transformada numa violenta.

“Desta vez não vamos tolerar e nem sequer negociar nada”, alertou, para quem o presidente do partido está a adiar constantemente a reunião para continuar na liderança, sendo que o seu mandato terminou em Fevereiro do ano passado. “Depois do mandato del, propôs que ficasse mais algum tempo para fazer uma boa transição, mas que transição é essa e com quem?” interrogou-se a fonte. Acrescentou que esta nova “cruzada” contra Ngonda, contará com o apoio da JFNLA, braço juvenil do partido, e da AMA, ala feminina deste partido fundado por Holden Roberto.

Manobras dilatórias

Para a fonte, o que Ngonda pretende é tão somente dilatar o prazo para a sua manutenção na liderança do partido, tendo em conta as “várias manobras que já fez para dilatar o prazo na liderança”. Além de supostas manobras dilatórias, Lucas Ngonda é acusado de “pouco ou nada fazer” para tirar o partido do marasmo em que se encontra, se comparado com outras forças políticas da nação. Contra o líder do partido pendem ainda acusações de má gestão do dinheiro do partido proveniente do OGE, revelando existir já um processo contra si junto da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal(DNIAP) da Procuradoria Geral da República (PGR), desde meados do ano passado, movido por um grupo de militantes.

Desvalorizar a data

A fonte denunciou também que o acto político de massas que devia ocorrer no Complexo 15 de Março, propriedade deste partido, em homenagem à data do início da luta armada pela FNLA, no Norte de Angola, foi adiada por “razões técnicas”. Entretanto, mostrou-se incrédulo ante a posição do presidente da FNLA, também já confirmado pelo seu porta-voz, Jerónimo Makana, em breves declarações, ontem, a OPAÍS. Para se comemorar a data, de acordo com a fonte, Lucas Ngonda foi forçado, ontem, Domingo, a emitir uma nota à imprensa, para destacar a importância deste dia.

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