Tomatada

POR: Kâmia Madeira

Ernesto era um homem confuso, o mundo estava de pernas para o ar, a tal dita doença que tinha tido o seu início na China alastrara para outros continentes e era agora uma pandemia. Na China as coisas começam a acalmar e até os seus médicos vão agora ajudar outros que não sabem como lidar com a situação, o novo epicentro da doença é a Itália, tendo sido decretada quarentena nacional não saindo ninguém de casa.

Ernesto sabe que França, Espanha e Portugal fecharam as escolas, que os Estados Unidos proibiram voos provenientes da Europa e vê a cada dia que passa os países a fecharem-se sobre si mesmos de modo a protegerem- se. Já por cá, desde que o surto teve início, abriram-se centros de quarentena que fecharam, testes de diagnóstico que só podiam ser efectuados no exterior e que felizmente já são realizados a nível nacional e medidas que começam a ser mais rígidas.

São vários os anúncios informando que temos que lavar as mãos em água corrente frequentemente ou desinfecta-las com gel, que devemos evitar sítios com muita gente e contactos mais próximos, espirrar para os braços e não tocar na boca, nariz e olhos, assim como usar máscaras caso se tenha sintomas gripais. A Ernesto o que o deixa confuso é ouvir dizer que estamos preparados caso a doença chegue, mas como, se são tantos os sem água corrente? Como, se as unidades de saúde têm um sistema tão deficitário? Como, se quando se fala de centros de quarentena os locais onde estão geram alvoroço nas populações? Talvez o melhor será pensar no aumento do preço do tomate e nas forças resistentes ao combate à corrupção antes que quando menos se espere dê tomatada….

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