Bancos renovam compromisso de financiar economia, empresários querem menos burocracia

Os bancos comerciais renovaram a intenção de este ano financiarem os produtores nacionais com um montante de 141 mil milhões de kwanzas. Face ao anúncio, os produtores mostram-se satisfeitos, mas apelam para redução das questões burocráticas

Ouvido pelo Jornal OPAIS, o agricultor João Carlos acredita que iniciativas do género são benéficas para o crescimento e fomento do sector agrícola. Contudo, diz que “é preciso rever as questões burocráticas e a forma de adesão ao crédito bancário. Pelo excesso de burocracia, muitos produtores com projectos de grande dimensão nem sequer chegam a beneficiar dos créditos que são anunciados”, lamentou.

Entretanto, ressalva que “as intenções são boas, mas a políticas de acesso é que são um verdadeiro “calcanhar de aquiles”, considerou. Na sua opinião, os bancos comerciais devem criar um grupo técnico para visitar os campos agrícolas para conhecê-los e conceder crédito de acordo com a importância de cada um deles, pois muitos deles garantem empregos directos e indirectos. Há 25 anos no ramo, João Carlos ressalta a necessidade de se fazerem supervisões no campo após a recepção do crédito bancário e constatar-se se o dinheiro está a ser usado para o fomento da agricultura.

Caso contrário, disse, muitos poderão aproveitar-se da iniciativa do Executivo para outros projectos, inclusive para vida de luxo. “Os bancos devem receber o retorno dos produtores sobretudo na forma como foi usado o dinheiro, quantidades de produtos cultivados depois do crédito e perspectivas para os próximos anos”, explica. Por sua vez, o produtor Mito Silva corroborou da ideia de Carlos João, afirmando que a intenção do Executivo é boa.

Porém, refere que “os executores – bancos -, dificilmente concedem o crédito bancário, alegando a falta de seguro agrícola. “Há muito que se fala do crédito bancário, ajuda para o fomento dos produtores da cintura verde de Luanda, os programas são sempre renovados, entretanto, os agricultores nunca chegaram a beneficiar deste dinheiro”, desabafou. Para o empresário agrícola, os bancos comercias devem deixar de se “agarrar” à questão do seguro agrícola para conceder o crédito, ressaltando que é o dinheiro e será reembolsado.

Realça ainda que, com o fomento da agricultura, por via do financiamento de vários projectos, o país vai deixar de importar grande parte de produtos. “Deste modo, os produtores vão sair da agricultura de subsistência e vão passar a praticar uma agricultura empresarial”, sugeriu. A fonte do dinheiro O Programa de Apoio ao Crédito (PAC) vai beneficiar ainda este ano de um financiamento avaliado em mil milhões e USD 120 milhões. Desse montante, cerca de mil milhões de dólares serão disponibilizados pelo banco alemão Deutsche Bank, enquanto o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) dispõe de 120 milhões de dólares.

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