Desnorte

Desculpem-me os senhores, mas eu estou um bocado como que desorientado, é que uma pessoa se habitua a algumas rotinas, sabem, e depois, quando surgem alterações… eu já me explico. Até há duas ou três semanas eu esperava quase ansioso pela Sexta-feira, por mais um episódio da luta contra a corrupção. Um confi sco, um arresto, notícia de novo arguido, qualquer coisa. Nós, as massas, animávamo-nos.

Se calhar as massas é que estragaram tudo mesmo, quando disseram que alguém meteu os pés pelas mãos no caso Kangamba. Pelo menos foi assim entendido por muita gente, tanto que a PGR teve de fazer, depois, uma conferencia de imprensa em que explicou nada. E o avião é como então? Kangamba, com o histórico de condenações por burla, era até fácil de condenação popular, mas o povo está mais exigente.

Deu-lhe. Fazer o quê? Os outros comeram à fartazana e iam morrendo de congestão, “granda estiga”, mas este povo não lhe segurou, não pegou como a dos marimbondos. Faltou gás. É que ao mesmo tempo as agências internacionais vieram dizer que a economia está a caminho da UTI e que pode lá chegar antes do primeiro doente angolano com Covid-19 (espero que ninguém adoeça, juro mesmo, com sangue de Cristo.

E estou a passar o meu indicador direito pelo pescoço). Não se fala de farturas alheias a quem está à mingua, vão te pedir pelo menos pão seco. E agora Coronavírus para cá, Coronavírus para lá, doente nada, graças a Deus (já me benzi e bati três vezes na mesa. Estou a fazer fi gas). Se calhar não sou o único desnorteado à espera do próximo capítulo da tal luta e para ver se vai ser mais um deputado retirado do avião e a ver as suas imunidades espezinhadas. Se calhar se está a acertar o Norte da bússola da lei, porque se for ao sabor do vento (vontades), pode perder-se com muita facilidade.

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