Moradores da Vila de Pungo Andongo clamam por assistência médica

A única unidade sanitária que atende as comunas de Mbanza Andongo, Luxilo e Quitexe fecha quando o único enfermeiro se ausenta. Para além dessa dificuldade, registam também a falta de água potável, energia eléctrica, professores e técnicos de saúde, de acordo com o soba de Quitexe, António Gonçalves João

Moradora da comuna de Quitexe, Rebeca Domingos lamenta a falta de água e de assistência médica na região, tendo em conta que existe apenas um centro médico, que funciona apenas com um enfermeiro, e quando o mesmo se ausenta a unidade sanitária fica fechada. Há igualmente falta de ambulância e, por isso, são obrigados a transportar seus parentes doentes usando meios próprios.

“Daqui para Cacuso é muito distante. Não temos ambulância para levar os doentes graves e em função disso temos de esperar por um táxi na paragem, e se não chegar a tempo e horas o doente acaba por morrer”, disse. Entretanto, disse que este período em que a chuva cai com alguma regularidade é benéfico para os moradores, não apenas para as suas plantações, mas também porque terão água para o consumo diário. “Temos dificuldades para conseguir água na manivela e recorremos nas fontes, mas por agora o líquido não está em condições para o consumo”.

António Gonçalves João (Soba Quitexe) explicou que a vila de Pungo Andongo é constituída por oito comunas que enfrentam no seu dia a dia muitas dificuldades, sobretudo no que toca a água para consumo próprio, energia eléctrica, professores e enfermeiros. O ancião citou o facto de na sua localidade existirem várias empresas como a Fazenda Pungo Andongo, Citic, Biocom, barragem de Capanda e Laúca, que, no seu entender, deveriam reduzir consideravelmente o número de jovens desempregados na zona, mas, infelizmente, assim não acontece. Soba Quitexe afirmou que numa das comunas há uma escola que está encerrada por falta de professores.

Outra situação que preocupa também a autoridade é a distância que as crianças têm de percorrer para chegar à instituição de ensino, pelo este facto, muitos acabam por desistir. “Recebemos um autocarro para apoiar os meninos, no sentido de evitar que eles percorressem os 16 quilómetros diários, mas, infelizmente, o transporte desapareceu”, denunciou. Recentemente, a comunidade foi agraciada com uma escola primária, em função disso, gostaria também que os responsáveis olhassem para sistema de alfabetização para adultos, considerando que há muitas mães que pretendem aprender a ler e a escrever.

Administrador lamenta, mas almeja dias melhores

O administrador do município de Cacuso, Caetano da Rita Tinta, lamentou o facto de na sua municipalidade existirem barragens de aproveitamento hidroelétrico mas a energia e água continuarem a ser difíceis nas três comunas da vila de Pundo Andongo, porque encontram constrangimentos na expansão e distribuição destes bens. Frisou que algumas residências têm energia, sendo que a grande preocupação é a iluminação pública.

Por falta também de um sistema de captação, produção, tratamento e distribuição de água, a comunidade enfrenta muitas dificuldades na obtenção deste líquido. As três comunas, designadamente, Mbanza Andongo, Luxilo e Quitexe contam apenas com uma manivela (furo) que foi instalada recentemente.

“Ainda este ano, dentro do projecto do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), serão construidos na localidade de Cacuso o sistema de captação, tratamento e distribuição de água”, garantiu, Caetano da Rita Tinta. Sobre o encerramento da unidade sanitária, sobretudo aos fins-de-semana quando se ausenta o enfermeiro, frisou que vai apurar a informação da comunidade.

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