UNITA e PRS alertam que fragilidade nas fronteiras pode ser porta de entrada do coronavírus no país

Para os partidos da Oposição, caso não forem reforçados os mecanismos de segurança e de controlo nos diversos pontos fronteiriços do país, sobretudo os que fazem ligações com a RDC e Namíbia, dois países com casos positivos registados, a entrada do Coronavírus em Angola será apenas uma questão de dias, o que vai causar um sério problema de saúde pública, em função das debilidades da rede hospitalar nacional

O PRS, na voz do seu secretário-geral, Rui Malopa, denunciou que, apesar de o Governo, regulamente, ter vindo a público a anunciar as medidas de segurança para impedir que o Coronavírus entre em Angola, ainda assim alguns pontos fronteiriços nacionais, que fazem ligação com outros países que já registam casos positivos da epidemia, continuam vulneráveis e sem o devido controlo. A título de exemplo, Rui Malopa apontou alguns pontos fronteiriços da Lunda-Norte que fazem fronteira com a República Democrática do Congo (RDC) que já tem casos registados, como estando desprovidos de segurança, situação que, no seu entender, poderá vir a tornar-se numa porta aberta para uma possível entrada do vírus que, pelo mundo, já fez milhares de mortes.

Para Rui Malopa, o PRS entende que, se não forem reforçados os mecanismos de segurança e controlo nos diversos pontos fronteiriços do país, sobretudo os que fazem ligações com a RDC e Namíbia, dois países com casos registados, a entrada do Coronavírus em Angola será apenas uma questão de dias, o que vai causar um sério problema de saúde pública, em função das debilidades da rede hospitalar nacional. “Estivemos, recentemente, a trabalhar na Lunda-Norte e constatamos a fragilidade que ainda se vive nas nossas fronteiras.

As pessoas circulam de um lado para o outro sem o exigido controlo e meios de segurança adequados. E isso, facilmente, poder fazer com que algumas pessoas, já infectadas, arrastem o vírus para Angola”, alertou o político, tendo ainda acrescentado que, “caso Angola venha a registar alguma ocorrência, o país vai entrar em colapso, porque a nossa rede hospital é bastante defi citária”.

Manter os níveis de segurança

De acordo ainda com Rui Malopa, é importante que os mesmos dispositivos e arsenal de segurança e de controlo que foram montados nos aeroportos estejam igualmente montados nas fronteiras para inviabilizar a entrada de quaisquer pessoas suspeitas de serem portadoras da doença. “Todos os dias ouvimos as medidas de segurança que foram instaladas nos aeroportos, quer domésticos como no internacional. Esses mesmos dispositivos devem ser montados nas fronteiras, por serem, igualmente, locais de movimentação constantes e volumosa de cidadãos de um lado para o outro. E se não forem tomadas as devidas medidas para conter a doença, a partir desses pontos, poderá ser fatal”, apontou.

Prevenir é sempre o melhor caminho

Por seu lado, o primeiro vicepresidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Maurílio Luiele, entende que, numa altura em que as autoridades afi rmam não terem registado ainda qualquer caso da epidemia, é importante que os postos fronteiriços mereçam um reforço no sistema de segurança.

Conforme explicou, por serem pontos de grande circulação de pessoas, muitas vezes sem o devido controlo, são indispensável as acções das autoridades na implementação de mecanismos de defesa e controlo, de forma a travar quaisquer tentativas de entrada de pessoas que estejam infectadas. “Achamos que só mediante um controlo efectivo das nossas fronteiras poderemos conseguir travar eventuais casos. A doença já esta perto de nós, no Congo e Namíbia. Caso nos descuidemos, a sua entrada em Angola será apenas uma questão de tempo. Então, achamos por bem que o Governo esteja sempre em alerta e tente ao máximo apostar na prevenção, que é ainda o melhor caminho”, notou.

Omissão de dados não ajuda no combate à doença

Por outro lado, o também médico valorizou o exercício das autoridades sanitárias em prestar sempre informações públicas em relação ao Coronavírus. Porém, defende que estas informações devem sempre ser verdadeiras e sem omissões, independentemente da situação, sob pena de o Governo inviabilizar as acções mundiais que visam a prevenção e combate da doença.

“Queremos acreditar que os dados que estão a ser passados sejam reais, apesar de já termos países, próximos de nós, com registo de casos. É que se as autoridades angolanas estiverem a esconder algum dado em nada vão ajudar nos esforços mundiais para a prevenção e combate ao vírus”, notou. De recordar que, recentemente, o Ministério da Saúde assegurou que os testes laboratoriais dos cinco indivíduos suspeitos de Coronavírus, que aguardavam os resultados no Centro de Quarentena de Calumbo, em Luanda, deram negativo.

O secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufi nda, disse que o Governo angolano vai continuar a trabalhar com o objectivo de aprimorar as condições nos hospitais, centros e postos de saúde, Centro de Quarentena de Calumbo, em Viana, e na unidade para o tratamento de pessoas infectadas por Coronavírus, caso haja casos, localizado na Barra do Cuanza, município de Belas, em Luanda. O governante deu ainda a conhecer que continuam as restrições impostas aos países como China, Itália, Irão e Coreia do Sul, por serem estes a registarem mais casos de infecção e morte causadas pelo Covid-19.

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