Associação de Vendedores Ambulantes preocupada com Covid-19

A pandemia que se alastrou em vários países e para a qual até agora não existe cura deixa o presidente da Associação Nacional de Vendedores Ambulantes (ANVA) preocupado, devido ao número de pessoas no país que vivem do comércio informal

Em entrevista ao jornal OPAÍS, José Cassoma disse que o coronavírus está a deixar preocupados os seus associados, uma vez que uma parte da população do país, ou seja, 80 por cento das pessoas, vive do comércio informal. “Nós rezamos para que essa doença não venha a aparecer no nosso país, mas caso seja confirmado o vírus, será muito difícil para os vendedores ambulantes, porque essas pessoas conseguem o dinheiro apenas quando vão fazer um negócio. Quando não vendem não têm nada para alimentar as suas famílias”, afirmou.

De acordo com o nosso interlocutor, o Estado nunca teve recursos para apoiar as pessoas desfavorecidas, e caso apareça essa doença, a primeira coisa que vai acontecer em Angola é que, invés de as pessoas morrerem com o Covid-19, morrerão de fome. “Daí que a associação está muito preocupada com esse fenómeno. O Ministério da Saúde não reportou qualquer política de prevenção para os vendedores ambulantes. Nós, como vendedores ambulantes, fomos lançados à sorte de Deus, porque nenhum passo daquilo que a associação prevê e pretende realizar foi possível dar”, lamenta.

José Cassoma considerou ainda que o país tem dirigentes de difícil acesso, que não enxergam o sofrimento da população. Até a legalização da mulher zungueira na administração municipal, por meio do cartão de venda ambulante, e que poderia ajudar o Governo a recuperar da escassez financeira, não é vista com seriedade. “Até agora, as administrações não têm condições de passar o cartão de vendedor ambulante às senhoras. Então, continuamos com essa desorganização, só a viver de promessas. Há novas políticas e reformas, mas não estão a ser postas em prática para que consigamos avançar com o que temos”, disse.

Não há parceria entre a associação e a administração

Fez saber ainda que a associação está indignada com a postura dos governantes, sobretudo os governadores provinciais e também os administradores municipais, devido à maneira com que estão a tratar a mulher zungueira na via pública. Quando a Administração manda parar as zungueiras, lhes retiram os bens, para além de as chicotearem. O nosso interlocutor considera esta uma prática arrogante dos governos provinciais. Contou ainda que o Governo não valoriza o espírito de parceria entre a associação e os órgãos da administração municipal e continua a tratá-los com arrogância, uma vez que estão sempre a enviar cartas e a mostrar interesse de parceria, mas sem sucesso.

“Projecto Poupança Zungueira será lançado no Sábado

O “zungueiro” fez saber que no próximo Sábado, 21 do corrente mês, em Benguela, será lançado o “Projecto Poupança Zungueira”, que visa incentivar o espírito de poupança nessas mulheres, para que o consigam fazer a partir de uma conta bancária. Segundo José Cassoma, é um projecto que tem muita adesão de mulheres zungueiras, sobretudo aquelas que estão a comercializar no mercado novo de Benguela. Aproveitou a ocasião para dizer que a actividade de grande magnitude que teriam no dia 22 de Março, na qual tinham a intenção de reunir 20 mil associados em Luanda, foi adiada por falta de resposta do Executivo. “Não temos a resposta da nossa documentação remetida ao Ministério do Comércio, o próprio Governo da província de Luanda continua, nessa altura, em silêncio, e não responde às cartas da Associação Nacional dos Vendedores Ambulantes”, disse.

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