Preço do barril de petróleo poderá ficar abaixo dos 10 dólares

Analistas antecipam preço do barril de petróleo na casa de apenas um dígito. Países do Golfo e Rússia mantêm intenção de aumentar produção em Abril.
Os preços de petróleo continuam em queda nesta quarta-feira, aproximando-se dos valores mais baixos dos últimos 18 anos.
A desaceleração das economias, causada pela crise do novo coronavírus, e o aumento de produção decidido pelos países do Golfo colocaram hoje o barril do Brent nos 24 dólares.
Analistas do mercado pensam que esta tendência se vai intensificar, com alguns a afirmarem que o preço do barril do petróleo pode chegar a um dígito. O que não sucedia desde antes da crise petrolífero do início dos anos século do século XX.
Em 1970, o barril estava cotado a 3,99 dólares, o que ajustado aos valores da inflação corresponderia hoje a cerca de 22 dólares.
A Arábia Saudita mantém a intenção de lançar no mercado 12,3 milhões de barris por dia a partir de abril enquanto a Rússia afirma que pode colocar mais 500 mil barris por dia.
Além dos sauditas, os restantes produtores do Golfo já se comprometeram a aumentar os níveis de produção e o mesmo fez o principal produtor africano, a Nigéria, que afirma estar em condições de colocar no mercado mais cem mil barris por dia.
Quanto a Angola, segundo fonte ouvida pelo Plataforma, ainda não foram tomadas decisões na matéria.
A Agência Internacional de Energia (AIE), por outro lado, chama a atenção para a redução da procura mundial, o que, a confirmar-se, será a primeira vez que sucede desde 2009.
A estimativa da AIE aponta para uma contracção de 90 mil barris diários em comparação com 2019.
Em queda desde Março
Para o principal analista de mercados do Goldman Sachs, Jeffrey Currie, a presente conjuntura pode conduzir a um barril de petróleo a 20 dólares a curto prazo e a subsequentes maiores quedas.
Desde o início de Março, o Goldman Sachs tem vindo a rever em baixa o preço do barril de petróleo para o segundo trimestre de 2020.
As consequências da queda do preço do petróleo estão a ter impacto na produção do petróleo de xisto (shale oil), especialmente importante nos Estados Unidos.
Neste país foi anunciada já a suspensão de produção em algumas instalações e a redução de investimentos.
Cenários adiantados pelos analistas sugerem uma crise de dimensões superiores à de 2014, quando a Arábia Saudita aumentou a produção na tentativa de colocar fora do mercado o petróleo de xisto.
Impacto nos Estados Unidos
O mesmo analista do Goldman Sachs, citado pelo Financial Times, afirma que as repercussões para a indústria do petróleo de xisto poderão revelar-se ainda mais sérias das que enfrentou em 2014, levando muitas empresas a terem de abandonar este segmento do mercado.
“Hoje, os produtores de petróleo de xisto estão numa posição financeira mais débil” do que em 2014, o que poderá repercutir-se de outras formas na economia americana.
Foi com o desenvolvimento da exploração do petróleo de xisto que os EUA se transformaram no maior produtor mundial desde 2018.
A permanecer a presente tendência do mercado, “muitas empresas poderão suspender a produção, o que irá acabar por reequilibrar o mercado”, diz aquele analista.
Um outro perito, Robin Mills, presidente da Qamar Energy e autor do livro The Myth of the Oil Crisis (O Mito da Crise Petrolífera), antecipa uma situação ainda mais crítica para os produtores dos Estados Unidos.
“Os produtores de petróleo de xisto dos EUA estão confrontados com a aniquilação. As suas margens tornam-se inefetivas abaixo de um barril a 45 dólares”, escreveu no início da semana no EuroActiv.

Para este especialista, só os gigantes da indústria que investiram no petróleo de xisto estão em condições de sobreviver. As pequenas e médias empresas estão condenadas.

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