Políticos e poderosos

A literatura dos finais do século XIX e do início do século XX falava muito sobre política, sobre políticos, homens e mulheres agarrados a determinadas ideias e que as defendiam com fervor. Contra outras ideias. Havia aquela imagem em que as senhoras se afastavam para a sala de chá ou para o quintal porque os homens queimavam o tempo agarrados a um copo de um bebida alcoólica, um cachimbo, ou um charuto e esgrimiam argumentos contrários uns dos outros e sem nunca chegarem a consenso, tarde após tarde. Alguns eram compadres.

Algumas vezes zangavam-se. Era o espaço da política, das ideias. Hoje, por cá, temos mulheres e homens que se dizem políticos mas sem qualquer ideia mestra sobre o mundo. Interessa-lhes o poder, sob qualquer forma.

Temo-los poderosos, não temos políticos. A política é um meio de acesso ao material. Eles não sonham mais, eles não conseguem ver no futuro a realização de todos, eles não discutem mais. Está cada vez mais cimentada a ideia de que o poder é para ser exercido, não admitem que seja discutido, questionado. Não há paixão, há ambição apenas. Não há cedências, há a força, a jactância, o eu e o “meu poder”.

Os deputados mostram o poder de preservar-se e exercem-no fechando o Parlamento ante o Covid-19, não tiveram a inteligência política de se expressar sobre, ou mesmo pedir o fecho das escolas. O Governo gasta dinheiro na sua luta favorita, de demonstração e imposição de poder, não teve tempo para levar água às escolas até da cidade de Luanda.
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