SINTO-ME CALMO NA CHINA

Estudantes angolanos no gigante asiático enviam mensagens sobre a sua situação em tempos de Covid-19. Falam dos cuidados que receberam e “o pior”, dizem, já passou

Pedro Monteiro Mendes

Meu nome é Bi Te, estudante angolano da Universidade HUAQIAO. Já estou me formando cá na China há 4 anos, na verdade, a vida tem sido tranquila até ao surgimento da nova pneumonia de Coronavírus (COVID-19). No começo, a minha família e eu estávamos muito preocupados, eles queriam que eu regressasse ao país o mais rápido possível. Foi assim que, por intermédio dos professores da universidade, com muita paciência e dedicação, temos recebido informações mais adequadas e compreensivas sobre a epidemia.

Notando que a situação na China foi melhorando aos poucos, a minha família e eu estamos cada vez mais tranquilos. A escola tomou uma série de medidas de prevenção para o bem-estar de todos nós, a universidade se recusou a permitir a entrada de pessoal que não pertence ou faça parte desta universidade e minimizou certos agrupamentos de pessoas.

A universidade ainda adoptou um sistema de que sempre que um estudante tiver que entrar/sair do dormitório, este, por sua vez deve usar máscaras e medir a temperatura corporal. Ao mesmo tempo, a escola deixou em funcionamento nesta época mais difícil, para garantir e atender as necessidades básicas dos estudantes, uma cantina, hospital e supermercado.

A escola também está muito preocupada connosco, algumas vezes fez entrega solidária de alguns alimentos e máscaras aos estudantes. Agradecimentos especiais à direcção da universidade e aos professores pela atenção que têm nos dado! Acredito que a China irá passar este momento crítico, e estou ansioso em reencontrar-me novamente com os meus colegas na sala de aula.

ANTONIO MIGUEL ARSENIO

Sou António Miguel Arsênio, estudante angolano na Escola de Mecatrônica e Automação do Campus Huaqiao University, em Xiamen.

Apesar do progresso da actual epidemia (Coronavírus) esteja sendo alarmante, os órgãos dirigentes da minha universidade têm feito tudo para que os estudantes estejam protegidos. Para impedir que os alunos da escola sejam infectados pelo coronavírus, a escola fez o possível para nos manter isolados e não tornar a nossa estadia cá desconfortável durante esse período conturbado. Por exemplo, em termos de alimentação, o refeitório da escola tem estado aberto e fornece a todos os estudantes três refeições por dia.

Além disso, quanto as compras em on-line, quando o nosso correio chega à estação de entrega mais próxima, a equipa dos seguranças da escola vai à busca dos nossos produtos, evitando que algum estudante esteja sujeito a contaminação. Também quando as nossas máscaras e os produtos de desinfecção terminam a escola encarrega-se de fornecer gratuitamente estes productos para os estudantes. A partir disso, podemos ver que a Huaqiao University tem cuidado dos seus estudantes de modo a não se sentirem abandonados durante este período de epidemia.

De acordo com as notícias, médicos de todo o mundo estão evocando todos os esforços para encontrar uma cura para o Coronavírus, o que me leva a crer que está prestes a terminar em todo territorio chinês, e não só, esse episódio de alerta extrema e preocupação que o mundo vive. Sinto que brevemente voltaremos a ter uma vida social mais calma, força China!

Paula Carina da Fonseca Carvalho

Meu nome é Paula Carina da Fonseca Carvalho, sou estudante da Huaqiao University pelo Governo chinês. Nasci no Brasil e sou cidadã brasileira, mas também tenho nacionalidade angolana. A minha universidade me seleccionou para, através desta pequena redacção, levar um pouco da minha experiência aqui na China, convivendo com o Coronavírus.

Na China, na província de Hubei, em WuHan foi descoberto um vírus de nome Coronavirus, de acordo ao Governo, este vírus foi descoberto a 8 de Dezembro de 2019. Durante este tempo teve um especialista em medicina de nome ZhongNanShan, porque ele tem uma vasta experiência baseada no SARS de 2003, então ele sugeriu para HuBei e outros lugares de risco uma quarentena de 14 dias, mas ZhongNanShan percebeu que estes 14 dias não foram suficientes, pois não pôde com isso controlar o vírus. Em seguida, voltou a começar o segundo período de quarentena de 14 dias, e a medida que o tempo passava a epidemia melhorava cada vez mais.

Mas o que mais me impactou foi a coragem dos especialistas de saúde da linha da frente e a preocupação das universidades em relação a nós. Os professores da Universidade estavam a todo o instante preocupados connosco, especialmente os alunos que estão fora da Universidade. Para a nossa protecção disponibilizaram máscaras, álcool, e ainda alguns alimentos.

Eu, em relação a esta atitude da Universidade, na verdade, não sei que palavras usar para agradecer. O período de maior perigo já passou, e o meu sexto sentido diz-me que a Vitória está próxima.
Querida China, nos compartiremos as alegrias e as tristezas. China Força, WuHan Força.

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