Bill Gates diz que quarentena deve durar dois a três meses

Bill Gates, o segundo homem mais rico do Mundo, estima que seja necessária uma quarentena de dois a três meses para controlar a pandemia de Covid-19. recomenda a democratização dos testes e acredita que antes da vacina chegará um medicamento para a doença, segundo o Jornal de Notícias

Numa sessão de perguntas e respostas na rede social Reddit, Bill Gates comentou o trabalho feito pela China, a experiência holandesa e a necessidade de produzir vacinas ou ventiladores. “Shutt down”, fecho total, foi a expressão mais usada, a recomendação principal do fundador da Microsoft, actualmente um dos filantropos mais activos do Mundo e muito empenhado no combate ao SARS-Cov-2. “A fase actual tem muitos casos em países ricos. Com as acções certas, incluindo os testes e o distanciamento social (que chamo de shut down – encerramento) entre dois e três meses deverá permitir aos países ricos evitar os níveis elevados de infecção”, disse Bill Gates, quando questionado pelo editor do Reddit sobre os receios e as esperanças com que olha para a crise provocada pela Covid-19.

“Preocupa-me os danos à economia destes países, mas será ainda pior a forma como o vírus vai afectar os países em vias de desenvolvimento, que não conseguem cumprir o distanciamento social da mesma forma que os mais ricos e cuja capacidade hospitalar é muito inferior”, acrescentou Bill Gates. América do Centro e Sul, África e Médio Oriente são algumas das zonas mais problemáticas. O bilionário e filantropo foi questionado sobre a forma como a China lidou com o problema. E distanciou- se das criticas de Donald Trump, Presidente dos EUA, que responsabiliza os chinesas pela situação que se vive actualmente no Mundo. “Depois de 23 de Janeiro, perceberam quão grave era o problema e montaram um esforço muito grande de isolamento social, que fez toda a diferença”, disse Bill Gates, referindo-se apenas à data em que oficialmente Pequim reconheceu o problema, do qual já teria conhecimento semanas antes, como constava de um discurso do Presidente chinês Xi Jinping, entretanto revelado pela imprensa local.

“Claro que o isolamento criou muitas dificuldades às pessoas, mas foi capaz de travar a disseminação do vírus” na China. “Outros países terão de o fazer, com algumas diferenças, mas uma combinação de testes à doença e isolamento social claramente funciona e é isso que temos de fazer enquanto não tivermos uma vacina”, acrescentou Bill Gates. “Temos de democratizar a escala dos sistemas de teste”, disse Bill Gates. “A prioridade deve ser dada aos trabalhadores da área da saúde e aos mais velhos”, disse o fundador da Microsoft cuja fortuna, com a mulher, é estimada em cerca de 90 mil milhões de euros. É preciso controlar a pandemia enquanto não chega uma vacina, argumenta. “Neste momento há seis tipos de abordagens diferentes para desenvolver uma vacina. Vamos precisar de muita capacidade de fabrico para fazer e testar essa diferentes vacinas em desenvolvimento, e algumas não vão funcionar”, disse Bill Gates.

“As primeiras vacinas devem ser destinadas a pessoal médico e cuidadores, mas isso pode demorar pelo menos 18 meses”, disse o filantropo, depositando esperanças noutras abordagens. “É provável que exista uma terapêutica, um tratamento, disponível antes da vacina. Idealmente iria reduzir o número de pessoas que precisam de cuidados intensivos, incluindo ventiladores”, disse Bill Gates, anunciando que a fundação que dirige organizou o Acelerador de Terapêuticas, uma iniciativa que procura dotar de meios de produção as melhores ideias desenvolvimento de medicamentos para a Covid-19. “Uma ideia que está a ser explorada é usar o sangue (plasma) de doentes recuperados. Pode ter anticorpos que protejam as pessoas. Se resultasse, seria a forma mais rápida de proteger os profissionais de saúde e os pacientes com doenças mais severas”, disse Bill Gates, confiante de qual alguma terapêutica sairá” desta iniciativa.

O filantropo anunciou que a Fundação Bill & Mellinda Gates, que dirige em parceira com a mulher, doou 100 milhões de dólares para investigação médica e científica no combate à doença, cinco milhões em exclusivo para o Estado natal, Washington, na costa Oeste, e um dos mais afectados pela Covid- 19 nos EUA. “A nossa fundação está a trabalhar com os grupos que fazem diagnósticos, terapêuticas e vacinas, para garantir que os esforços certos têm prioridade. Queremos que todos os países tenham acesso a essas ferramentas”, disse Bill Gates. “A prioridade é garantir que existe suficiente capacidade de fabrico de terapêuticas e vacinas”, acrescentou. Mas, para já, o foco essencial tem duas palavras, em inglês, “shut down”, que em português se pode resumir como isolamento ou quarentena. “O único modelo que se sabe que resultou é o de fazer um esforço sério de distanciamento social (shut down)”, disse quando confrontado com uma questão de um leitor, que referiu o caso da Holanda, que está apostada em tentar espalhar o vírus de forma controlada na sociedade, de forma a produzir uma imunidade colectiva, tal como foi pensado no Reino Unido.

“Se não fizerem isto [shut dow] a doença vai espalhar-se por uma percentagem maior da população e os hospitais vão entrar em ruptura com tantos casos”, disse. Com muitos países e cidades apostadas na compra de ventiladores, Bill Gates diz que a fundação que dirige está mais vocacionada para “diagnósticos, terapêuticas e vacinas”, não estando envolvida no esforço de produção de ventiladores. “Admito que possamos fazer uma contibuição para haver mais, espcialmente à medida que a doença chega a países em desenvolvimento”, disse o filantropo, respisando as duas palavrinhas já mencionadas. “Se cumprirmos a distância social (shut down) de forma eficaz, o surto não será tão avassalador”, argumentou. Para Bill Gates, a melhor solução, de momento, é uma mistura entre o que fez a China, quarentena rigorosa e duradoura, e a Coreia do Sul, testes generalizados na população, identificando casos assintomáticos que foram colocados em quarentena, em vez de continuarem a movimentarse nas ruas ou locais de trabalho e contaminar mais gente. Assim conseguiu uma curva de crescimento de casos estável, que não sobrecarregou os hospitais, preservando vidas, de pacientes e pessoal médico.

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