Carta do leitor: Coronavírus e a desinformação

POR: João da Conceição
Camama- Luanda

O dia de hoje esteve consagrado, fundamentalmente, às discussões sobre a existência ou não de um caso positivo do Coronavírus em Angola. Aliás, os rumores começaram depois do vídeo divulgado pela profissional de saúde condenada exemplarmente em Benguela, depois de ter vazado informações que se esperavam protegidas, independentemente da situação em que nos encontrávamos.

Porém, apesar de um brilhante trabalho de informação que vem sendo feito pelo Ministério da Saúde, através da titular da pasta, Sílvia Lutukuta, e do secretário de Estado do mesmo pelouro, tem havido espaço para que os angolanos tenham conhecimento do que se passa a nível interno e até mesmo externo. O facto de estarmos ladeados por três países que já possuem pacientes com diagnósticos positivos faz com que alguns angolanos almejem, infelizmente, que este vírus aqui radique. Se, por um lado, existe a sensação de que algum trabalho está a ser feito, do outro existem os médicos e analistas das redes que mais não fazem do que insinuar que alguma coisa está a ser escondida.

O que muita gente parece desconhecer é que o trabalho do Executivo, neste domínio, está a ser escrutinado por alguns organismos internacionais, sobretudo pela própria Organização Mundial da Saúde, que tem aqui um representante. Como nem sempre somos capazes de recordar das coisas boas, vale salientar que foi o responsável da OMS que num primeiro instante veio a público dizer que o país tinha tudo preparado para a realização de diagnósticos sobre o Coronavírus. A sociedade angolana está a ficar cada vez mais doente. Não é necessário que chegue o Coronavírus. A apetência que se tem em desinformar e não acreditar no que se diz de bom sobre o Executivo é muito mais grave do que algumas doenças que andam por aí. É muito mais perigoso, porque na ânsia de satisfazer egos, há quem induza os outros a caminhos menos perfeitos.

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