Covid-19: “O efeito psicológico é mais contagioso do que o efeito viral”, alerta psicólogo

Covid-19: “O efeito psicológico é mais contagioso do que o efeito viral”, alerta psicólogo

O psicólogo clínico João Caratão está mais preocupado com o pânico social gerado em “todo o mundo”, Angola não é excepção, do que com a doença, pois, até agora, não há casos positivos no país. “O efeito psicológico é mais contagioso do que o efeito viral”, ponderou. “Existe uma taxa de contaminação de stress, ansiedade generalizada” mundialmente, muito mais elevada, já “a contaminação pelo vírus (ainda) não é tão alta”. O especialista em saúde mental, quadro do Hospital Geral de Benguela, pede aos angolanos e estrangeiros residentes para não reproduzirem informações falsas e negativas sobre a pandemia do Covid-19, pois, só piora o quadro.

Para si, o medo e pânico só atrapalham, tornando muito mais árduo o trabalho dos órgãos ministeriais envolvidos no combate ao novo Coronavírus e, considera como dever cívico de todos ajudar a travar a doença. Sobre consequências psicológicas do isolamento, é vital que as pessoas habituem as mentes a lidar com novas realidades, “o ser humano tem essa capacidade”, realçou, até porque, não se sabe quando, mas “isto irá passar”. O psicólogo acha justa uma maior sensibilidade, empatia e solidariedade para com os profissionais de saúde, porque arriscam as suas vidas diariamente para salvarem outras vidas, logo, mundialmente, merecem o carinho e reconhecimento da sociedade.

Estratégias para manter a mente saudável

O psicólogo acha fundamental que se siga à risca as orientações internacionais de segurança, prevenção e contenção, dos órgãos capacitados para informar com veracidade, pois cabe a todos combater a doença. Para se diminuir a pressão da pandemia, as mentes devem ocupar-se com coisas boas. Logo, Caratão promove a partilha de casos bem-sucedidos, histórias das pessoas curadas, e não do número de contagiados ou das mortes. “A nossa casa deve ser um refúgio de amor, ternura, para podermos ter um momento de calma, para enfrentar o stress ao qual estamos sujeitos lá fora”. Assim, a quarentena pode facultar a reaproximação familiar.

Guião da O.M.S. para cuidar da mente face ao Covid-19 – 30 Passos

– “O coronavírus não tem bandeira”, todos estão sujeitos; – Não estigmatizar pessoas infectadas, continuam a ser simplesmente seres humanos; – Ler apenas notícias de fontes fidedignas e partilhar “factos, não boatos”. Os factos ajudam a minimizar o medo.”; – Protecção individual e colectiva, “enfrentar o Covid-19 em união”; – Reproduzir as histórias de recuperação da doença para criar positivismo; – Valorizar os agentes de saúde que se expõem à doença para salvar outros, principalmente os da sua comunidade; – Os profissionais de saúde também são humanos, logo, sentem medo mas, não se podem deixar vencer, porque milhares de vidas dependem de si; – Os agentes de saúde são aconselhados a fazer pausas nos seus trabalhos, descansar sempre que não haja vidas em risco, devem cuidar das suas saúdes físicas e mentais; – O distanciamento da família por receio de contrair a doença afecta negativamente os profissionais de saúde, logo, conversar sobre isso ajuda; 10º – As comunicações dos órgãos de saúde para o público devem ser claras e simples, para que todos percebam; 11º – Faça-se útil na sua comunidade, ajudando quem está de quarentena, ver formas de lhes proporcionar o que precisam do mundo exterior, bem como simpatia e solidariedade.

Responsáveis dos serviços de saúde

12º – Foco nos objectivos a longo- prazo, pois a pandemia tenderá a demorar a passar e, vigiar constantemente o estado psicológico das equipas, todos os que se expõem ao risco diariamente para que as instituições de saúde mantenham as portas abertas e continuem a salvar as vidas; 13º – Criar sistemas rotativos, para que os profissionais que trabalham nas áreas de maior risco façam intervalos, trabalhando em áreas menos perigosas, diminuindo- se os níveis de stress. Divulgar todos os factos aos trabalhadores, pontualmente. A solidariedade e amizade entre colegas é fundamental porque vivem a mesma situação e exposição; 14º – Os líderes devem eliminar o medo e o stress nas suas equipas. mas não se podem esquecer que eles próprios também são alvos desses males, devem cuidar de si e procurar apoio psicológico sempre que necessitarem; 15º – Organizar um “kit de primeiros socorros emocionais”, implementado pelos actores comunitários em cada zona, professores, voluntários, etc; 16º – Vigiar os pacientes infectados com Covid-19, para detectar sinais de depressão, causada pelo isolamento; 17º – Garantir que a medicação suplementar é seguida com rigor, no caso de pessoas com doenças prévias, dependentes de medicação regular.

Responsáveis por crianças

18º – É saudável encorajar as crianças a exprimirem os seus medos relativos à doença, para que os adultos os possam acalmar, transmitindo-lhes informações necessárias numa linguagem elementar; 19º – Desde que não haja riscos maiores, é preferível manter as crianças com os pais, para que se sintam amadas e protegidas. Em caso obrigatório de separação, assistentes sociais devem surgir em substituição temporária mas, o contacto virtual é imprescindível; 20º – Na quarentena em casa, criar rotinas ajuda a diminuir a ansiedade, principalmente para as crianças e, as rotinas devem ser reinventadas periodicamente, incluindo-se actividades lúdicas; 21º – Os filhos tendem a observar os comportamentos e humores dos pais, logo, os pais devem manter-se calmos e partilhar as novidades com os filhos.

Responsáveis por idosos e pessoas com limitações acentuadas

22º – Este grupo requer maiores cuidados quanto à atenção, pois o isolamento em quarentena pode causar muita agitação; 23º – Partilhar as informações actuais e medidas de prevenção é importante, repetindo-se várias vezes, para garantir total entendimento; 24º – Quem tem doenças crónicas deve ter em stock os medicamentos, caso esteja em quarentena. Se não puder, pedir a familiares; 25º – Traçar alternativas para entrega ao domicílio de comida, medicamentos ou outros produtos e ter à mão os números de emergência; 26º – Fazer exercício físico regularmente em casa durante a quarentena; 27º – Realizar actividades de lazer dentro de casa, leitura, artes e tarefas domésticas, para manter corpo e mente ocupados; 28º – As redes sociais são uma ajuda para manter contacto em tempo real com familiares e amigos e combater a solidão; 29º – Ver a estadia em casa com outros olhos, como tempo para relaxar. Ter sempre em atenção o estado psicológico; 30º – Evitar as “fake news” e não se fixar em notícias sobre a pandemia, manter-se actualizado(a) mas não obcecado(a) com as notícias sobre o Covid-19.