Encarregados alertados a evitar presença de crianças em concentrações de massas

Com a dispensa temporária dos alunos das escolas, a responsabilidade total de controlo, no habitual período de aulas, passou para os pais e encarregados de educação, razão por que se recomenda mais atenção

O sociólogo Juca Manjenje está preocupado com o facto de os alunos dispensados das escolas, inicialmente por 15 dias, terem, doravante, mais tempo livre em casa ou na rua, pelo que recomendou aos pais traçarem medidas pontuais ou alternativas para impedir a sua presença em locais de muita gente. O académico referiu-se principalmente aos mercados, campos de jogos, lojas, cantinas e armazéns, onde, segundo ele, as crianças são propensas a dirigir-se, devido aos teóricos atrativos destes lugares.

“É necessário que os pais redobrem o controlo, de forma directa ou indirecta, se estiverem ausentes de casa, porque a medida do Estado que os retirou temporariamente da escola visou impedir a presença dos petizes em sítios com muitas pessoas e de convivência intensa”, explicou o sociólogo, tendo ironizado que de nada valia ficar privado de uma concentração para se estar noutra. Juca Manjenje foi taxativo em dizer que os pais e encarregados de educação deviam mesmo criar atrativos que motivassem as crianças a passarem quase todo o tempo do dia em casa ou o mais próximo possível desta.

Por outro lado, adiantou que só deste modo seria possível orientálas a observarem as recomendações gerais emanadas do Ministério da Saúde (MINSA), que passam por lavar as mãos com água corrente usando sabão ou outro detergente adequado e álcool-gel, um processo que já cumpriam diariamente nas escolas. O especialista chamou a atenção dizendo que a convivência directa, nas relações interpessoais dos africanos ou angolanos constitui uma característica dificilmente evitável, mas o contexto actual de luta contra a pandemia do Covid-19, impõe que se valorize a preservação da saúde em detrimento de alguns traços culturais. “Por exemplo, as nossas crianças não se vêm no direito de recusar as mãos se um mais velho, sem prévio aviso ou por negligência, lhes estender a sua, porque sabe que os pais lhe ensinaram que isso é falta de respeito”, ilustrou, tendo acrescentado que o mesmo se aplicava com os beijos e abraços, dois entre os actos que constam na lista de proibições da prevenção contra o novo Coronavírus.

Escolas agendaram actividades aos alunos

Por via de uma orientação plasmada no decreto Executivo 2/20, de 20 de Março de 2020, o Ministério da Educação (MEd), que evoca o artigo 1º do decreto Presidencial nº 17/18 de 25 de Janeiro, que aprova o estatuto orgânico deste órgão e outros não menos importantes citados no referido documento, avança medidas alternativas que permitam a manutenção do contacto do aluno com o conteúdo de ensino. Aliás, o órgão reitor do ensino em Angola engendrou recomendações para os professores que se revertem directamente na ocupação dos alunos durante o período de suspensão de aulas estabelecido pelo MEd.

Trata-se de orientar o estudo autónomo dos alunos, através de actividade de cópias, leitura, elaboração de resumos de conto e outros géneros literários, trabalhos de pesquisa e estudo do alfabeto, bem como exercícios baseados em operações matemáticas, desenho livre com temas orientados e redacções ou composições partidas de contextos actuais, além de exercitação em disciplinas práticas ou teórico-práticas. É por causa dessas actividades que constaram nas últimas recomendações de professores para os alunos que Juca Manjenje reiterou o seu apelo de responsabilidade de controlo redobrado de pais e encarregados de educação, argumentando que durante o período que a criança estiver em casa são esses superiores que devem supervisionar a elaboração das tarefas e corrigilas, antes dos professores

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