Entrepostos devem desempenhar o seu papel de reserva estratégica de alimentos

O Ministro do Comércio, Victor Francisco dos Santos Fernandes, reuniu-se ontem, Sexta-feira,20, com operadores económicos para alinhar estratégias que garantam reservas de bens alimentares, tendo em conta a pandemia do Covid-19

O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, salientou que o Entreposto deve desempenhar o seu papel, que consiste nas reservas estratégicas para situações de calamidade que possam acontecer no país, independentemente do poder político. “Tem de se fazer essa reserva com urgência dos produtos da cesta básica”, disse. Na sua opinião, o Ministério do Comércio deve criar um grupo de trabalho com os ministérios da Agricultura e da Indústria e convidar algumas associações que possam ser parceiras no momento antes da tomada de decisões políticas. Para Severino, o problema vital tem a ver com a questão da importação dos transportes no país.

“Nós cometemos um erro brutal para a nossa economia ao impedir-se a importação das viaturas da África do Sul com subterfúgios de que criavam acidentes. Isso para defender um lobby nacional que prefere viaturas que vêm do Japão, que têm despesas aduaneiras lá, transportes que custam 30% mais caro do que as viaturas da África do Sul e carregam menos produtos”, disse. Por outro lado, focou a questão da especulação dos preços dos adubos, que pode fazer falhar acampanha de hortícolas, porque os camponeses não conseguem comparar os fertilizantes. Estão em causa as produções do tomate, da cebola, a batata-rena e outros produtos. Por sua vez, o governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, referiu que o país previa, para o presente ano, maior estabilidade.

Mas surgiu a pandemia do vírus COVID -19. Por esse motivo, os mercados estão num processo agressivo de ajustamentos. “Os países chamados BRICS, todos, neste momento estão a fazer acertos”, explicou. Segundo Massano, o BNA reduziu a sua intervenção na colocação das divisas no mercado porque o sector petrolífero vende directamente ao mercado mais de USD 200 milhões. “Algumas destas economias que têm o petróleo como um produto importante de geração de divisas tiveram de fazer ajustamentos e continuam. De Janeiro até ao presente mês, o Real, no Brasil, depreciou cerca de 20%, o mesmo aconteceu com o Rand sul-africano, O Rublo Russo, que depreciou igualmente 20%. E o Kwanza depreciou 7 %”, disse.

O responsável avançou que o país não tem condições, num cenário do preço do petróleo entre USD 27 e 35, para continuar a importar USD 250 milhões em bens alimentares. Ressaltando que se vive um cenário em que se precisa de coordenar acções para minimizar os danos. “Estamos perante um quadro em que podemos ter recursos cambiais e não ter acesso ao mercado. Precisamos de desenvolver um plano de continuidade de negócios, é um desafio que se coloca a todos”, frisou. Segundo ele, o mercado de cambial vai continuar a funcionar e já se fez uma redução de injecção de dinheiro. Para os meses de Março e Abril o BNA fixou a colocação no mercado de USD 400 milhões.

Aposta na produção nacional

A empresária Filomena Oliveira defende a capacidade da população alimentar-se. Pelo facto do país ser dependente do petróleo, as reservas são automaticamente afectadas, isso significa que as pessoas devem ser comedidas quando não há dinheiro, é preciso alimentos nacionais, nomeadamente o milho, mandioca, batata-rena e ervas diversas. Sobre as reservas de alimentos, Filomena Oliveira referiu que se vive uma crise que não era esperada e que se está a fazer um levantamento para se saber o que o país tem, o que se precisa e como repor as reservas. “A garantia que o Executivo dá é que vai haver produtos alimentares para toda a gente, mas como as pessoas vão ter mais dificuldades económicas, é necessário apostar na produção nacional”.

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